Luanda - A Human Rights Watch (HRW) pediu hoje uma investigação "imediata e imparcial" à morte de um rapaz de 14 anos, alegadamente atingido a tiro em Luanda por militares durante um "protesto pacífico" contra a demolição de centenas de casas.
Fonte: Club.k
Em comunicado enviado hoje à Lusa, aquela organização internacional de defesa dos direitos humanos afirma que o uso pelo Governo de polícia militar numa "manifestação contra a demolição de casas", para um projeto de desenvolvimento, "levanta sérias preocupações sobre o uso desnecessário das forças de segurança da força letal".
A Lusa noticiou na segunda-feira a morte de um rapaz de 14 anos, atingido a tiro alegadamente por militares a 05 de agosto, no bairro Walale, na sequência de um processo de demolições de centenas de casas na zona do Zango III, arredores de Luanda, conforme denúncia feita na altura pela organização não-governamental angolana SOS Habitat.
O caso tem motivado contestação pública na sociedade angolana, exigindo uma investigação ao sucedido e apoio à família do rapaz, que segundo os mesmos relatos estaria a opor-se à demolição da casa dos pais. Terá sido atingido, segundo relatos de testemunhas no local, no pescoço por um dos disparos feitos pelos militares para dispersar a multidão que contestava as demolições.
"Soldados angolanos dispararam munição real durante um protesto pacífico e o resultado não surpreendente é a morte de um adolescente", acusa, no mesmo comunicado emitido hoje, o diretor para África da HRW, Daniel Bekele.
Aquele responsável exorta as autoridades angolanas a fazer uma investigação imediata à utilização de fogo real e que levem a julgamento os responsáveis "por qualquer irregularidade" neste caso, além de "tomarem medidas para evitar o derramamento de sangue no futuro".
Os familiares da vítima denunciaram que o cadáver do rapaz foi levado por militares para parte incerta e apenas no sábado o corpo foi localizado numa morgue de Luanda, registado "como uma criança desconhecida que foi morta a tiro", segundo Rafael Morais, da SOS Habitat.
 "A SOS Habitat vai avançar para outros passos, para a Justiça, para que a Justiça seja feita. Vamos ajudar a família a arranjar um advogado no sentido de poder saber o que é se passou ou de encontrar o autor do disparo contra o rapaz", disse anteriormente à Lusa o responsável daquela organização angolana.
Rafael Morais acrescentou que no Zango II mais de 2.500 famílias foram afetadas pelas demolições e no Zango III mais de 620 residências.

As autoridades alegam, entre outros motivos, que as casas foram construídas no perímetro reservado da Zona Económica Especial Luanda-Bengo, acusações negadas pelos moradores.


Há cerca de um ano foi divulgado um estudo da União Europeia sobre incêndios nos países da bacia do Mediterrâneo que continha números impressionantes. Foram analisados dados de 2000 a 2013 de Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia. Nesse período 53,4% de todos os incêndios haviam ocorrido em Portugal. Ou seja, o nosso país tinha maior número de incêndios do que Espanha, França, Itália e Grécia juntas.
João Miguel Tavares
«Não é azar … é uma profunda incompetência política»
Em termos de área ardida, o número baixava para 37,7%, mas como a Portugal corresponde apenas 14,7% do território em causa, o resultado é este: temos 3,5 vezes mais incêndios do que a média dos países mediterrânicos e 2,5 vezes mais área ardida. São números que deveriam envergonhar qualquer português. E, no entanto, não me recordo de esse estudo ter tido alguma repercussão significativa em termos políticos ou mediáticos, e eu próprio só dei por ele porque ontem já não conseguia suportar mais labaredas à hora do almoço e pus-me a pesquisar.  
A falta de seriedade com que nós enfrentamos os problemas da floresta portuguesa só tem paralelo na histeria que toma contas das televisões assim que, para citar Quim Barreiros, entra Agosto. Há mais de dez anos que se fala em auto-regulação das televisões, por uma razão muito atendível: estimando-se que um quarto dos incêndios tem origem criminosa e estando comprovado que os pirómanos se entusiasmam com a sua cobertura, o festim de chamas serve de alimento a futuros fogos. Ontem, todos os canais abriram os noticiários da hora de almoço com os incêndios, o que é compreensível tendo em conta a gravidade da situação, mas depois pus-me a olhar para o relógio, num daqueles exercícios que a ERC muito aprecia: a RTP terminou a cobertura dos fogos às 13.20; a CMTV às 13.15, mas depois voltou às 13.31 e arrastou um directo até às 13.43; a TVI às 13.31; e a SIC às 13.34. Sendo costume os jornais do almoço duraram uma hora, a cobertura dos incêndios em Portugal está como os fogos: mais de metade dos noticiários de Agosto são ocupados por chamas, chamas e mais chamas.
O meu problema, claro está, não tem a ver com a questão dos incêndios, que é um excelente tema jornalístico. Está na transformação do repórter num mero recolector de lágrimas e labaredas. Os 34 minutos de incêndios no Primeiro Jornal da SIC não são ocupados a questionar responsáveis ou a discutir o que está a falhar no combate e na prevenção. O grosso da cobertura é floresta a arder, e quanto mais próximo de casas maior o dramatismo e mais estúpidas as perguntas do repórter. A próprio pivot vai lançado os directos com comentários tão argutos quanto “este é mesmo um combate desigual…”, e do outro lado confirma-se que sim, que é um combate desigual, e depois a senhora Maria pergunta onde estão os bombeiros, e o senhor Manel pergunta porque é que ninguém limpa as florestas.
Para o ano, já se sabe, há mais. Ora, o que eu gostaria de ver era menos a senhora Maria e o senhor Manel, e mais um bom debate televisivo com todos os ministros do Ambiente e ministros da Administração Interna (António Costa incluído) que ocuparam os cargos entre 2000 e 2013, para nos explicarem devagarinho porque é que falhamos há tantos anos em matéria de incêndios e porque é que tudo indica que vamos continuar a falhar. Os estudos não enganam. Isto não é azar geográfico nem altas temperaturas. É mesmo uma profunda incompetência política, muito mais árdua de combater do que o pior dos fogos.
Sedrick de Carvalho


Infelizmente, ainda não temos cidadãos no país. O que temos são militantes que só depois pensam em ser cidadãos, mas daí não passam”, disse alguém quando debatíamos sobre o exercício da cidadania em Angola.

Por Sedrick de Carvalho
Fonte: F8
Não subscrevo o absolutismo da afirmação acima, mas carrega parte da verdade. A nota acima exposta surgiu logo após termos – um grupo de seis jovens – avançando que é difícil exercermos a cidadania despidos das cores partidárias.
O partido, não importa qual seja, está sempre em primeiro lugar. É comum vermos dirigentes partidários dizerem que autorizaram ou não os seus militantes a participar em actividades que visam simples e puramente colocar em prática o exercício de determinados direitos/liberdades consagrados nos diplomas legais existentes no país.
Exemplo mais recente desta narrativa, que lembro, deu-se aquando da manifestação organizada pelo Movimento Revolucionário para exigir justiça pelo assassinato de Manuel Hilbert Ganga, jovem de 32 anos afecto à coligação eleitoral CASA. Naquela altura, Mihaela Webba, deputada pela bancada parlamentar da UNITA e constitucionalista, usando a sua página no Facebook, postou uma nota desencorajando os mentores e interessados em participarem na manifestação, tendo inclusive destacado que os militantes do partido que representa estavam orientados a não aparecerem no largo da Independência – local marcado para os protestos.
Na ocasião escrevi um artigo intitulado “O delírio da deputada Mihaela Webba”, publicado pelo Club-K, onde repudiava a ideia segundo a qual os indivíduos apenas podiam exercer o direito de manifestação, plasmado no artigo 47º da Constituição da República de Angola (CRA), mediante autorização dos chefes dos partidos onde militam.
Ao agir desta forma – por “ordens superiores” -, o indivíduo não actua como cidadão de facto, mas sim como militante. A cidadania fica em causa, pois não está em primeiro lugar. O mesmo acontece quando, no desempenho das funções jornalísticas, se recorre a determinados técnicos afectos às organizações partidárias para esclarecimento. É comum ouvirmos o seguinte: “Tenho de pedir ainda autorização superior para falar”.
Note-se que a abordagem jornalística a ser feita não é partidária e/ou política – é meramente técnica – mas ainda assim é necessário que o jurista, hipoteticamente, peça autorização ao chefe para falar da lei do combate ao branqueamento de capitais, alegadamente sob pena de ser sancionado caso faça o contrário.
Mostrar o descontentamento publicamente contra uma política ou decisão do partido em que milita é considerado traição. Nenhum indivíduo, seja ele de que agremiação partidária for, está “autorizado” a contestar as acções dos chefes do partido. E não só publicamente, mas também internamente.
Exemplos de indivíduos que tentaram agir à margem da militância há poucos, e aqui destaco o biólogo Makuta Nkondo e o governador de Benguela Isaac dos Anjos. Por pensar e falar como cidadão e não como militante, Makuta Nkondo passou a ser considerado “persona non grata” pela UNITA e, desde as últimas eleições – em 2010 –, pouco se tem ouvido do ex-deputado independente do partido dos “maninhos”.
Makuta Nkondo destaca-se pela frontalidade e transparência como aborda as questões. “Makuta não só disse no [jornal] Folha 8 que a CASA-CE é a melhor opção para Angola como repetiu o mesmo discurso na Rádio Despertar, tendo nesta altura ido mais longe ao afirmar que a UNITA e o MPLA eram partidos intolerantes”, lê-se no artigo publicado no Club-K intitulado “Makuta Nkondo vota a favor do MPLA”.
Acusava, ainda usando os microfones da “Despertar”, de existir censura na rádio. Citava como exemplo o facto de raramente ouvir “hertzianamente” indivíduos afectos a partidos como o PRS, CASA-CE, Bloco Democrático e outros. A resposta para a ausência de representantes do MPLA era sempre de que “declinaram o convite”.
Foi durante a conferência sobre a “Problemática da Ocupação de Terrenos” que ouvimos Isaac dos Anjos a questionar os moldes em que tal evento havia sido organizado, isto por achar que era desnecessária a presença dos administradores municipais e autoridades tradicionais quando os “chefes” de todos eles – os governadores – já lá estavam. Tal questionamento foi considerado uma ofensa ao Presidente da República, pois era o “patrocinador oficial” da actividade através da sua Casa Civil, e, passados alguns instantes, Bornito de Sousa, enquanto “chefe da missão”, exigiu que Isaac dos Anjos pedisse desculpas publicamente por pensar e falar que não entendia as razões da presença dos seus colaboradores ali.
Notei que, servindo-se da arrogância que lhe é característica, Isaac dos Anjos agiu como cidadão (o cidadão também erra) e não como militante, pois o militante não questiona, apenas obedece. O autêntico estardalhaço foi o pedido de desculpa. A partir do palácio provincial, Isaac dos Anjos pediu desculpas pelo questionamento, mas não aos administradores e autoridades tradicionais [sobas e seculos].
O “pedido de absolvição” de um eventual castigo foi endereçado ao Presidente da República. Nem sequer o “chefe da missão” foi citado no discurso de perdão. E é aqui onde o governador voltou a agir como mandam as regras partidárias – antes de tudo e sobretudo está a militância e só depois, se possível, a cidadania.
A orientação partidária em Angola vale mais que a cidadania. A lei, que tem como principal característica a imperatividade, não funciona como bússola norteadora para os indivíduos. O que vale mesmo são os estatutos e ideologias partidárias, e essas meras concepções sectárias não permitem aos militantes serem primeiro cidadãos. O militante não pode manifestar-se exigindo água ou energia sem a anuência do chefe do partido.
O técnico não pode prestar esclarecimento sobre alguma matéria do ramo em que se formou sem a autorização do chefe do partido. E o pior será criticar o chefe ou o partido onde milita quando existir motivos. Aí é motivo inclusive para ser expulso ou desvalorizado por colegas de partido, tal como aconteceu com William Tonet, ocorre com Marcolino Moco, Silva Mateus, e tantos outros.

Politicamente, dizem sempre que é errado criticar o chefe ou determinada decisão do partido. Um amigo disse-me que a posição que defendo é característico dos activistas e não dos políticos. E sempre indago o seguinte: É importante educarmos as pessoas a serem cidadãos ou militantes?

Dez anos após o memorando de acordo Namibe, assinado por António Bento Bembe e o FCD, o resultado e a falha é completamente evidente e presente.

Todas as promessas contidas na farsa do estatuto especial para Cabinda permaneceram letra morta e nenhuma delas têm sido realizados.
A Justiça social que as pessoas esperavam com uma ponta de expectativa se transformou numa injustiça generalizada para todos.
 A Paz do espírito esperado resultou na perseguição, prisões arbitrárias e assassinatos de cidadãos inocentes em pleno exercício dos seus direitos.
O desenvolvimento esperado levou a várias proibições de pessoas a não visitar as suas plantações, ou caçar animais, e aumento do desemprego no centro urbano superou todas as expectativas.
A liberdade de expressão e de associação é desviado para silenciar todas as vozes dissidentes, ao contrário da constituição do poder do regime de ocupação.
Finalmente, sem querer prolongar a longa lista de infortúnios que o memorando fantoche trouxe para o povo de Cabinda; pedimos sinceramente ao irmão Bento Bembe de olhar para a população de Cabinda com os olhos humanos e ter a coragem de declarar:
Que o memorando de Namibe é uma verdadeira farsa e um fiasco político para os Cabindas, perpetrado pelas oficinas militares do MPLA, e não honra a imagem de Angola e de seus filhos dignos.
Que no final de mais um mandato político do Presidente José Eduardo dos Santos e ao aproximar as próximas eleições, um verdadeiro dever de memória deve ser aplicado e respeitado, a fim de abrir um processo de diálogo credível real para uma verdadeira paz.
Ninguém tem o direito de adiar o sonho e o direito do povo de Cabinda para desfrutar da sua dignidade, sua história, sua identidade na sua própria terra e viver com dignidade de suas riquezas depois de mais de quarenta anos de ocupação e exploração vergonhosa.
Hinda há tempo para os nossos irmãos do FCD de sair dessas ilusões e falsos acomodações, de por fim a essa escravidão moderna e entrar na história pela grande porta.
Un homme avertit en vaut deux.
Strasbourg le 2 aout 2016
José Nkusu Tiaba da Costa « Mutchopo »

Conselheiro político e Representante da FLEC em França
António Bento Bembe
O presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD), António Bento Bembe, disse, em Chicamba-Massabi, município de Cacongo que na província de Cabinda há sinais positivos que demonstram desenvolvimento social e económico para o bem das populações.
Fonte: Club-k
Bento Bembe discursava em Chicamba, na comuna de Massabi, município de Cacongo, local que a 18 de Julho de 2006 foi palco da assinatura do acordo de Paz e de Reconciliação para Cabinda, tendo sublinhado que esse desenvolvimento é fruto de que a guerra não cria desenvolvimento.
"Entendemos e estamos conscientes que o acordo assinado visou mudar o percurso da história e a paz sendo ela o mais necessário para garantir desenvolvimento, livre circulação de pessoas e bens ", disse.
Frisou que embora a província tenha vindo a demonstrar sinais bastante significativos no seu desenvolvimento, ainda há muito por fazer na concretização dos projectos preconizados pelo Executivo.
" O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, acompanha a real situação da província e está preocupado com o seu desenvolvimento. Por isso precisamos cada vez mais estarmos unidos e deixar a intriga e as falsas informações que perigam a estabilidade socioeconómica”, sublinhou.

Bento Bembe ao se referir a assinatura do Memorando de Entendimento e de Reconciliação para Cabinda na província do Namibe, a 1 de Agosto de 2006, afirmou que a especificidade da província tem merecido atenção do Executivo.

Neste contexto, estão em curso novos projectos de grande impacto como a construção do Porto de águas profundas do Caio, a ampliação e modernização do aeroporto de Cabinda, para além das infra-estruturas já existentes como nos sectores da habitação, água, energia, saúde e estradas. Sublinhou que, “hoje temos quase estradas abertas em toda a província onde não havia circulação e a população circula livremente em toda a extensão da província com seus bens. Isto é o mais importante e foi alcançado para permitir o desenvolvimento e a unidade entre os angolanos de Cabinda ao Cunene.
Jonas Savimbi, fundador da UNITA

Entrevista com Jonas Savimbi. O líder fundador da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi, apagaria hoje 82 velas, caso estivesse vivo. No entanto, face a sua dimensão humana, social e política, o blog disputaspoliticas reedita a sua última entrevista, concedida à Voz da América.

Por D.Politicas e VOA

Voz da América: Faz tempo que o senhor não falava. O que o levou a interromper o silêncio?
Jonas Savimbi: Queria encorajar aqueles que estão a organizar o debate sobre a paz em Angola. Nós estamos totalmente solidários. O debate pode ser crítico, contraditório, nós não somos contra esta posição, pelo contrário. Mas também queríamos encorajar os partidos políticos da oposição, a Igreja, os jornalistas independentes, a sociedade civil, que não deixemos os factos de lado para sermos frontais, e trabalharmos para um diálogo. Que não seja o debate pelo debate. Que o debate tenha o objectivo de dar formato e substância ao diálogo. A seguir tem-se que se trabalhar fortemente para a reconciliação nacional. Angola vive ainda uma fractura profunda, pois considero, neste momento, que temos um passivo muito grande, incluindo na Igreja, e este passivo tem de ser aceite, de forma a pudermos um dia, quando for oportuno, debatermos este passivo. Fico muito preocupado quando escuto nos fóruns da Igreja, ou na casa que faz a lei, que é o parlamento, termos como «matumbismo», «matumbos», porque com certeza que isso não cria a tal abertura, a tal disposição, mas torna a situação mais acirrada. Gostaríamos que entrássemos para a fase da reconciliação nacional, em paz, com maior calma, com disposição para aceitarmos que nos apontem os erros. Que os angolanos deixem de pensar em angolanos de primeira e de segunda.
VOA: Dr. Savimbi, parte daquilo que pode ser a reconciliação dos angolanos depende daquilo que a UNITA vier a fazer, daquilo que o senhor vier a fazer. O senhor não falava, pelo menos à Voz da América há muito tempo. As coisas mudaram substancialmente desde a última vez que o fez, do Andulo se a memória não me atraiçoa. A UNITA perdeu o Bailundo, perdeu o Andulo, perdeu uma série de posições. Hoje, que proposta concreta pode fazer a bem da reconciliação dos angolanos?
JS: O diálogo! Nós somos pelo diálogo, e estamos de acordo que se organize e que se estruture este diálogo. Também eu queria que os angolanos não se esquecessem que podemos aproveitar a conjuntura internacional. Os americanos começam a pensar também que o diálogo é a via para a solução do conflito. Sermos parte disto tudo.
VOA: Há aqui uma questão concreta. Nas últimas semanas, o governo respondeu de alguma forma ao que vem acontecendo com o lançamento do Fundo para a Paz e Reconciliação. O senhor tem as suas fontes, ouve as rádios, sabe o que se está a passar, está a UNITA, está o senhor disposto a abraçar aquilo que o governo oferece neste Fundo para a Paz e Reconciliação Nacional?

JS: Não.... Até porque o Filomeno Vieira Lopes respondeu dizendo que aquele fundo não era para a paz. Que era o Fundo para os rendidos e para os fugidos das fileiras da UNITA. Não está ali a resposta. A resposta está na nossa própria história. Quando falo do passivo pesado, estou a falar de como é que fizemos os acordos, e quais foram as garantias. Tudo para não repetirmos o mesmo caminho.
VOA: Suponho que o senhor tem reparado do lado do governo uma incidência na questão da validade do acordo, numa disponibilidade até para se conversar com a UNITA, se a UNITA se desarmar. Como é que o senhor toma todas essas afirmações?
JS: Com muita prudência. Porque se fomos penalizados pelas sanções até aqui, é porque se dizia que nós nos armamos contra o protocolo, mas a verdade hoje é o que se esta a ver com o Angolagate em Paris, isto é 93-94 o governo estava a comprar armas. Não era preciso o Angolagate, porque os nossos representantes em Luanda nos diziam constantemente que o MPLA estava a comprar armas. Desarmar-se e apresentar-se já muitos fizeram e a situação não tem mudado. Do lado do governo, ou do regime, continuam a enviar indivíduos para capturarem, para matarem, portanto o que dizem dum lado, desdizem pela acção prática.
VOA: Em todo o caso, o Fundo pode ser o ponto de partida para um entendimento. Não pode?
JS: Precisamos do dinheiro para darmos às populações cativas, que são capturadas todos os dias, e que se encontram nos municípios, nas comunas, e que não têm condições nenhumas. Porque é que vão dar aos políticos, e não dão às populações? Nós estamos com a mão estendida à caridade internacional!
VOA: Isso será um caso para se ver mais adiante. Há outras questões concretas que são abordadas no âmbito do Fundo. É a questão da reconciliação em si, do desarmamento, do diálogo e a questão da amnistia.
JS: Bom, a amnistia...esta amnistia está discutida...nós estamos a seguir...mesmo os partidos políticos da oposição que se encontram em Luanda, discordam com esse procedimento. O regime aceite uma abertura real e demos os passos para que a situação seja decantada, as pessoas possam participar, senão tem um Fundo, têm um nome, mas nós não temos a paz. E o perigo é: que não queremos a paz em Angola sem a UNITA, não queremos eleições em 2002. E por exemplo, os americanos que agora pensam no diálogo, podem de uma forma ou de outra decepcionados e abandonam a partida.
VOA: Suponho que o Dr. Savimbi ouviu o Ministro do Interior, Dias dos Santos Nandó, falar, digamos, de uma condição que seria um cessar-fogo unilateral da UNITA. O senhor alguma vez pensou nessa hipótese como um gesto de boa vontade?
JS: Bom, vejam como é que se pode fazer isso...Hoje se decidi falar para si, para a Voz da América, é porque tenho uma relativa segurança, mas custou-me quase dois anos. Não temos acesso fácil sem precauções, e também não teria vontade de reconciliação se o regime fosse a ditar o que temos que fazer. Comecemos, falemos, restabelecemos os contactos. Porque não fomos nós que rompemos os contactos, foi o regime. Quando forem restabelecidos, mesmo com as Nações Unidas - foram elas que aplicaram as sanções - nós estamos dispostos a retomar os contactos e começarmos outra vez a prever passos subsequentes.
VOA: O Dr. Savimbi e a UNITA iniciaram alguma diligência com vista ao restabelecimento dos contactos com o governo?
JS: Sim senhora. Num momento dado instruímos os nossos representantes no exterior, - quando nós fomos surpreendidos pela proposta do embaixador Gambari- para que nós pudéssemos chegarmos também ao governo. O embaixador Gambari sabe que a direcção da UNITA deu instruções para que não retomássemos só o contacto com as Nações Unidas, mas também com o próprio regime. Podemos ser críticos aqui e acolá, como toda a gente é crítica, mas como disse no princípio, nós temos um passivo muito grande. Os angolanos têm de ter coragem e vontade, nós estamos dispostos a restabelecer esse contacto.
VOA: Para além da instrução que deu aos seus representantes no exterior, houve algum contacto com um terceiro governo, com uma terceira parte com vista ao estabelecimento do diálogo com o governo de Angola?

JS: Quero esperar que agora o ambiente melhore. É por isso que não podemos falar contra tudo e contra todos. A opinião americana pode ajudar, a opinião europeia pode ajudar, a opinião africana pode ajudar. Há países africanos que estão em contacto connosco, que aceitam a nossa posição, que estão dispostos a aproximar o regime com esta mensagem. Apenas tenho encontrado receios porque acham que o regime não está preparado para falar connosco. Se der sinal que está, esses amigos vão-nos passar o recado.
VOA: Dr. Savimbi, todas as instituições e governos que o senhor referiu aqui, União Europeia, Nações Unidas, comunidade internacional, etc, etc parecem estar de acordo num ponto: qualquer que seja o caminho a seguir, a UNITA terá que se desarmar, e a UNITA tem parecido irredutível neste ponto.
JS: Não somos, não somos absolutamente. Entendamos: politicamente queremos fazer o quê? Mas isto passa por um diálogo. Fala-se de desarmamento, mas vamos para onde? É por isso que nós temos que retomar o contacto, o diálogo, a consideração, para que os angolanos se sintam à vontade na sua própria pátria. Eu não posso falar quando tenho um mandato de captura.
VOA: O governo diz que a Amnistia está em vigor.
JS: Não é verdade. Agora mesmo há uma grande ofensiva nas áreas das Lundas, de Malange etc, etc. Mas o objectivo primário é apanharem o Savimbi. Isto não é sabido lá fora. O governo quando der sinais que quer dialogar, sabe que nós podemos dialogar.

VOA: O governo continua a fazer fé no Protocolo de Lusaka. O senhor também continua a fazer fé no Protocolo de Lusaka?

JS: O protocolo de Lusaka estava manco e hoje, de entre os representantes da UNITA no exterior, estão aqueles que participaram na feitura do acordo. Portanto houve logro. Mas se for como quadro de discussão pode servir. Mas esvaziou-se o Lusaca quando o regime procurou um outro parceiro. Hoje a bandeira da UNITA é reclamada por vários grupos. Esvaziou-se! Mesmo assim se quadro for o espírito, podemos levá-lo mais adiante.

VOA: Quando o senhor diz que a bandeira da UNITA é reclamada por vários grupos, creio que se está a referir a Eugénio Manuvakola e à Renovada.
JS: Bom, é isso que dizem.
VOA: Em todo o caso, há um segmento da UNITA no parlamento, que não comunga das posições de Eugénio Manuvakola, mas que também não perfilha de algumas posições, que o senhor defende.
JS: Com certeza. Mas considero que a maior parte dos deputados da UNITA que estão no parlamento, estão de acordo com o programa do Muangai. Porém estando em Luanda podem recear um bocado aqui um bocado acolá. Na essência pugnam mais pelo nosso programa, do que nós do que do programa do senhor que mencionou há instantes.
VOA: Manuvakola é? Tem algum problema em repetir o nome?
JS: Não tenho interesse.
VOA: Em todo o caso esta descrição que fez para os deputados, também abrange Abel Chivukuvuku?
JS: Vejamos. O discurso do Abel tem sido muito difícil de interpretar aqui nas matas. Umas vezes está com a Renovada, outras vezes não está, umas vezes está com a terceira via - que eu considero que seria a pior aventura, porque a terceira via não teria pernas para andar .... e é difícil. Os dirigentes que estão comigo acham que cedo ou tarde o Abel será do CRU.
VOA: O que é o CRU?
JS: É o comité Renovador, porque quando apareceu a Renovada, apareceu o CRU.
VOA: Vejamos outra coisa Dr. Savimbi. Quando o senhor ouve os partidos, vou usar uma expressão sua: os «partidecos», uma expressão que o senhor introduziu em 1992, quando ouve organizações não-governamentais fazerem o que fazem em Luanda, manifestações, apelos, provocarem o debate, não lhe ocorre que, se a UNITA tivesse feito outras opções, o senhor poderia estar em Luanda a participar deste tipo de debate?
JS: Com certeza, mas não fomos nós que declaramos guerra ao regime. Foi o chefe do regime que declarou a guerra à UNITA, a 5 de Dezembro de 1998. Logo, não tínhamos uma outra escolha. Nós poderíamos continuar o debate, e talvez três, ou quatro meses mais tarde, tivéssemos conseguido uma plataforma que evitasse a guerra ao povo angolano. Mas o regime não nos deu essa alternativa.
VOA: Que opinião é que o senhor tem, e eu repito, a expressão é sua, daquilo que os partidecos fazem em Luanda? Cresceram substancialmente? Qual é a sua opinião?
JS: Eu não sei quem é que é o autor da expressão. Insiste-se que fui eu...nao sei em todo o caso, não penso que hajam partidos e partidecos. É verdade que os partidos têm força diferente, mas não é por isso que nós vamos chamar a um partido, partideco. Até porque em Angola há indivíduos que não fazem parte de nenhum partido, mas são patriotas angolanos e nós nos batemos por eles. Em todo o caso, estaríamos também associados a eles, a fazer as manifestações que eles fazem, mas é preciso sabermos qual é o objectivo final. Democratização do país. Mas o regime faz passar todos os seus programas por causa da maioria parlamentar. Esta maioria parlamentar fez passar o orçamento geral do estado sem a aprovação dos partidos. Vai fazer a revisão da Constituição, vai fazer a lei eleitoral, há alguma coisa que nós temos que começar a rectificar agora para que não haja ambiguidades, e depois responsabilidades.
VOA: Dr. Savimbi falou aqui mais do que uma vez da posição norte-americana em relação ao conflito. É sua convicção que há alguma coisa de diferente entre aquilo que fazia a administração democrata, e aquilo que faz a administração do presidente George W.Bush?
JS: Absolutamente! Mesmo se for o princípio! A administração Clinton aceitava a guerra como uma forma de acabar com a guerra. Desde que a administração Bush diga que o diálogo deve ser a forma mais capaz de se atingir a paz, eu quero crer que a diferença é monumental.
VOA: Passemos às questões militares: a última vez que falou, o senhor disse textualmente que o MPLA já não tinha capacidade de derrotar a UNITA. O senhor disse também que se atacassem o Andulo e o Bailundo, subiria mais um bocadinho para lá de Catete. O que se passou depois disso foi, digamos a queda em catadupa das principais posições. Afinal como é que houve esse desequilíbrio?
JS: Nós tínhamos uma estratégia, e quando se desequilibra um ponto na estratégia, é muito difícil se recompor. As tacticas reparam-se muito mais rapidamente. Também não estamos muito longe de Luanda. Perdemos o Bailundo e o Andulo e ninguém pode dizer que não foi com bastante mágoa. Mas, empurrados para a guerra, tivemos de refazer as nossas vontades e as nossas estruturas, e agora estamos a 100kms a sul de Luanda, estamos em toda a parte. Por isso, considero que perdemos os bastiões, mas ganhamos a liberdade de movimento, porque agora, já não sabem qual é o alvo. O alvo é todo o país.
VOA: Há dois anos o senhor podia dizer que estava a falar do Andulo ou do Bailundo. Hoje não pode dizer de onde está a falar.
JS: Absolutamente. Mas esta é uma vantagem, e não uma desvantagem. Já não podem bombardear-me com a certeza de que já não estou lá.
VOA: Correram nos últimos dois anos, notícias sobre a eminente captura do Presidente da UNITA. Alguma vez sentiu que as FAA estivessem no seu encalço?
JS: Como eu dizia, a ordem é oficial, e mantém-se, e nós temos contactos também nas cidades, não estamos só nas matas. Portanto o que se foi passando, é o seguinte: têm força para capturarem e combaterem e capturarem as populações para as tais eleições- eu considero as populações cativas - mas também há o objectivo permanente que é a minha captura. Mas na verdade nunca estiveram perto, porque senão teriam mais dados, mas continua esta perseguição. Em todo o caso não estou muito preocupado. Depois de um ano e mais, considero que nós encontrámos métodos capazes de evitarmos esta catástrofe.
VOA- Por outras palavras, o senhor está a dizer que do ponto de vista militar , não poderá haver um desequilíbrio maior do aquele que se regista hoje?
JS: Absolutamente. O que se passou connosco foi o pior. Agora as forças armadas da UNITA estão a subir. Já não estamos a passar pelo trauma que vivemos em 1998, 1999.
VOA- Por falar em trauma, dois dos seus filhos foram parar a Luanda. Um, Araújo Sakaita, a partir de Abidjan, e outro, Ulile, suponho que a partir de Lomé, mas levado pelo outro. Como que o senhor, ai onde está, recebeu a notícia, ouviu os seus filhos falarem de si, contra si, e contra o projecto da UNITA.
 JS: Até elementos não próximos da UNITA ou de mim, e que são mesmo do MLPA, talvez mais radicais reprovaram a atitude. Utilizar as crianças fazer a política, isto é que é perigoso. A UNITA não faz isto. Talvez pudesse molestar também alguém pelo mundo fora, mas não fazemos isto. E não o fazemos porque isto não nos dignifica. Não se fala com crianças de 16 anos, até com um desprimor, dizendo que este miúdo de 16 anos, agora é pai. Com certeza que nós sentimos que estávamos a brincar com a dignidade do próprio angolano, com os nossos valores. É isto que nós defendemos. Que o angolano seja a referência em tudo o que estamos a fazer. A nossa cultura, para que neste mundo da globalização, tenhamos identidade própria. Esta questão de capturar as crianças foi um mau passo dado pelo regime…
VOA: Por conseguinte o senhor não considera, não valoriza, o que eles disseram…
 JS: Até porque o último, primeiro mandou uma mensagem para os meus parentes que se encontram no exterior, a dizer uma coisa. Depois de trabalhado, disse outra coisa. Mas mesmo na sua posição como angolano, e eu falo aqui de poucos grandes ricos…por causa do dinheiro- há corrupção e não sou eu que o digo-, dizia por causa do dinheiro vamos perder os nossos valores? Os nossos antanhos nunca nos ensinaram que utilizássemos crianças contra os pais. Pelo contrário, ensinaram-nos a respeitar os pais, a idade, e a terra.
VOA: Outra questão muito em voga há uns tempos, atrás foi o desaparecimento, ou provável morte do General Bock. Suponho que como eu, ouviu muitos desertores, alguns dos quais da segurança da UNITA darem como certa a execução do General Bock. Apesar das promessas que fez, a UNITA nunca esteve em condições, ou pelo menos não fez esforços para provar que o General Bock estava vivo...
JS: Eu penso que ele já falou uma vez consigo, creio que em 1999…
VOA: Foi antes de todos estes rumores.
JS: Mas os rumores continuaram. Até ontem recebemos uma mensagem que dizia que o General Bock e o General Numa estavam mortos. Isto não é verdade. E ele está-me a escutar. Nós fizemos um debate aberto, sobre as circunstâncias em que a nossa estratégia báscula. Fizemo-lo em Novembro, Dezembro, Janeiro e Fevereiro do ano 2000, e chegamos todos à conclusão que o general Bock acarretava maior responsabilidade nesta mudança trágica da nossa estratégia. Como disse, ele está-me a escutar, e sabe que é assim que nós pensamos. A partir daí, já não aceitamos que fizesse parte dos quadros militares. O camarada Numa que estão associar ao desaparecimento do Bock, não teve problemas connosco. É ele quem dirige as operações das forças armadas. Tudo isso é propaganda. Cada um lança um bocadinho. Primeiro, eles próprios coíbem-se de falar. Sofrem de um certo isolamento, não falta um outro que em circunstância difícil repita que o Bock é culpado disto ou daquilo. Logo, quando vem outra vez a terreiro e a voz está lá, os próprios não se sentem muito à vontade.
VOA- É por esta razão que o general Bock não fala?
JS: Ele não fala, porque é preciso convencê-lo. Vi-o a última vez em Abril do ano passado, quando nos separamos. Ele trabalhava, como trabalha com o Vice-Presidente. Nós descentralizamos a nossa direcção, primeiro para pudermos ser mais eficazes, lá onde temos de retificar o comportamento, mas também para mantermos a situação da segurança. Isto não significa que aquele que não fale tenha desparecido. Fala aquele que estiver junto do telefone, ou quem tiver uma mensagem a passar. Este camarada tem problemas, os outros ainda apontam-lhe o dedo, e ele não quer que se fale mais do caso dele. E eu simpatizo-me com ele.
VOA: Até que ponto vai a sua responsabilidade em toda a estratégia na UNITA. Pessoas da sua intimidade disseram por mais de uma vez, que não se faz nada na UNITA sem a sua aquiescência ou melhor, sem a sua decisão.
JS: Isto seria considerar-me como um ser super-humano, e isto não é verdade.
VOA: Em todo o caso até onde vai a sua responsabilidade, em todas estas derrocadas que a UNITA sofreu?
JS: Não só derrocadas. Mas nós resistimos, as dificuldades são muito maiores do que aquilo que as pessoas pensavam. Há um grupo de dirigentes que provou que se pode resistir ao infortúnio, pois a vida não é feita só de rosas. E temos gente que nos apoia. Como é que se ataca em Calomboloca, se eu não estou lá? Deve haver um responsável que decide em toda a consciência e assume a responsabilidade. Logo, eu tenho uma parte das minhas funções, mas os outros desempenham as suas funções. É assim que a UNITA se expande.
VOA: Há muita dificuldade em entender porque é que a UNITA atinge muitos civis nos seus ataques, sobretudo em Catete…
JS: Nós reprovamos esta atitude, porque o regime faz isto. Eles estão a evacuar as zonas rurais, estão a mutilar. É isto que eu considero o passivo do regime. Quando os nossos cometem as mesmas atrocidades, ou mesmo quando apanham padres e cometem atentados contra a Igreja, somos os primeiros a reprovar, somos os primeiros a dizer a eles, para que reponham a verdade sobre a nossa política, sobre o que é o angolano.
VOA: Já não está do outro lado o general João de Matos com quem o senhor travou algumas batalhas. Como foi que recebeu a notícia do seu afastamento?
JS: Bom, se eu fosse a dizer que tive pena, estaria a ser cínico, e eu não preciso de ser cínico. Foi um general que se dedicou à construção das FAA e que fez a guerra pelo MPLA...Os servidores do regime terminam sempre assim.
Luis Costa

Nota: A conserva terminou neste ponto, porque a qualidade do som caiu drasticamente. Jonas Savimbi ainda voltou à linha três vezes, mas não havia condições para continuação da gravação.




Félix Miranda
Por Félix Miranda
Fonte: FB
Na qualidade de Secretário Executivo para Comunicação e Marketing da CASA-CE, declaro que não houve frente a frente algum entre o Presidente Abel Chivukuvuku e o Embaixador Itinerante Luvualu de Carvalho. Houve sim Show do Dr. Abel, diante de proeminentes personalidades do mundo da economia e diplomacia com interesse a ajudar Angola e os angolanos, mas com um Governo sério e que solicitaram uma troca de impressões com aquele que já ninguém duvida ser o próximo Presidente de Angola.
O MPLA está na agonia
Tem havido muita falta de honestidade intelectual por parte de Luvualu de Carvalho. Querer comparar António Luvualu de Carvalho com Abel Chivukuvuku é realmente uma grande aberração. De acordo um dos nossos colegas, a realidade é que o pequeno Embaixador Luvualu cuja peça teatral surpreendeu a todos quer ser grande antes de amadurecer e pretende a todo o custo de forma ridicula baixar seu nível somente para agradar o Chefe.
A verdade é que, soubemos da presença da sua delegação composta por 10 elementos, incluindo da Embaixada, apenas 5, repito 5 minutos antes do início da Exposição do Dr Abel. Viu-se na atrapalhação da senhora Lisa Inglês que diz ser Arquitecta e em Off mostrou ser portadora de um Projecto em miniatura sobre o Plano Director de Luanda que lembramos está a cargo de Isabel dos Santos. Mas, nada foi apresentado do referido Plano na conferência. A senhora informou-nos que acabava de aterrar, reparem bem, e sem pejo ainda teve o desplante de ir com a sua mala de viagem até a Sala de Conferências, e logo depois soubemos que apanhou o voo de regresso para Portugal. O que tudo indica ter vindo precipitadamente só para ofuscar a grande recepção que teve Abel Chivukuvuku a dimensão do Reino Unido.
Por fonte segura, fomos informados que Luvualu de Carvalho foi enviado de emergência para Londres pelo Presidente da República José Eduardo dos Santos, vindo de não sei onde, afrente de uma delegação transportada por um Avião especial, a custos da Presidência da República só para sabotar a Conferência que teve um único orador, Abel Chivukuvuku.
O Embaixador trouxe consigo uma equipa de televisão com o logotipo da TPA, mas cujos jornalistas confirmados por nós, não pertencem a TPA, conforme podem ver nas imagens e que por uma questão de ética e respeito, não vamos divulgar os nomes. Contudo, gostariamos de convidar os colegas da TPA Angola a se insurgirem pelo uso indevido do Logo da TPA numa circunstância no mínimo suspeita. Até ao final da Conferência, Luvualo não debateu coisa nenhuma, sim colocou perguntas como quaisquer dos presentes ou pretendeu de forma avulsa justificar o injustificável. É muita pena António Luvualu pretender desacreditar uma instituição tão prestigiosa como a CHATHAM HOUSE por onde já passaram eminentes personalidades a imagem de chefes de estados e de governos do mundo que avança.
Por outro lado, tanto no Vídeo como nas fotos, podem ver o Presidente Abel a discursar para uma plateia conquistada, bastante atenta que o admira e no mesmo momento observa-se o Embaixador Luvualu nas vestes de um pequeno aluno a tomar notas, disciplinado e impressionado pela oratória de seu professor e mestre Chivukuvuku.

O facto de terem despachado de emergência a Delegação de Luvualu de Carvalho demonstra bem o desespero e o pânico que se apoderou das hostes do MPLA, pela ascensão fulgurante da CASA-CE e do seu Presidente Chivukuvuku hoje extremamente solicitado nas mais altas instâncias do mundo como próximo Presidente de Angola.

Se verificarem as imagens publicadas, nenhum dos planos indica a disposição de ter havido qualquer frente a frente, mas sim de Luvualu de Carvalho e sua delegação estarem colocados da mesma forma como estavam Félix Miranda, Evaristo da Luz, Emmanuel Mayassi ou Paulino Quifica que faziam parte da Delegação de Abel Chivukuvuku.


É triste e vergonhoso este tipo de procedimento de todos os termos condenável. O Governo do MPLA continua a gastar enormes somas de dinheiro que deveria servir para investimentos muito mais úteis para a população.
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