Mauro Adriano
Por Mauro Adriano Mendes*

O avanço tecnológico na comunicação social fortalece a participação popular, na medida em que permite aos cidadãos a possibilidade de se colocar como um relevante protagonista na construção permanente da democracia.
A Internet e as redes sociais são exemplos que decorrem desse avanço e, quando usados para bons propósitos, encurtam distâncias e permitem o acesso a um conjunto inimaginável de informação e conhecimento.

Ocorre, no entanto, que, assim como na vida real, o mundo digital é composto, também, por pessoas boas e más.
Como nos casos da falta de rigor no Jornalismo, temos nas novas médias digitais um universo de pessoas (algumas vezes robots com perfis falsos) ocupadas, ou programadas, na difusão de mentiras, calúnias e difamações de toda ordem.

O volume e a velocidade com que são publicadas imagens de fotos e vídeo-montagens e ideias, agora não mais limitadas ao universo local, têm consequências imediatas, que podem ser positivas ou negativas, nas esferas psicológica, moral e social dos cidadãos, mas não só.
Preocupados com o “universo digital” que foi criado a partir das novas possibilidades tecnológicas, alguns países já anteciparam medidas que visam evitar que aquilo que foi pensado pelos seus criadores, como uma ferramenta de inclusão social e de aprimoramento dos conhecimentos, geral e específico, seja transformado, maioritariamente, numa ferramenta para a proliferação do ódio, da humilhação e da decadência de pessoas, famílias, grupos sociais ou, numa escala mais ampla, de países, como nos exemplos recentes do caos criados pelas chamadas “primaveras árabes”.

Numa das suas mensagens de fim de ano, o Presidente da República de Angola, Engº. José Eduardo dos Santos, alertou para o crescente uso indevido dessas novas tecnologias no nosso país e, no cumprimento dos seus deveres institucionais, fez o seguinte apelo:
"O país deve dispor, o mais depressa possível, de legislação adequada para orientar a sociedade e as instituições e reprovar ou prevenir o surgimento deste tipo de práticas, que são inaceitáveis".

Não demorou muito para que aqueles que praticam ou defendem o uso das novas tecnologias da comunicação social como arma contra reputações se manifestassem contra as palavras do Presidente da República de Angola, pelo simples facto de sentirem-se julgados. Não é de surpreender a reacção imediata dos obreiros do mal, pois se antes acreditaram em crimes perfeitos, agora começam a perceber que os crimes que praticam deixarão de ser impunes.

Um exemplo que pode ser citado é o do Brasil, onde usar a Internet, para fazer falsas acusações e/ou difamar pessoas ou grupos, é crime com punições previstas na lei. A Justiça brasileira tem acatado as denúncias e cobrado a indemnização daqueles que atropelam direitos de terceiros.
Um dado que chama à atenção é que no Brasil nem mesmo crianças e adolescentes estão livres das penalidades. O que exige dos pais e tutores a atenção redobrada para que os seus filhos não cometam crimes nas redes sociais.
Por isso, é urgente avaliar se seria justo que a sua própria vida, de uma pessoa próxima ou da sua empresa ou instituição fosse exposta através das redes sociais, com o objectivo único de degradação da reputação ou imagem.
O surgimento do número crescente de consumidores passivos da comunicação social tem-se transformado, progressivamente, em utilizadores activos, sobretudo nas redes sociais, participando nos processos de produção de comunicação, decorrente, em grande medida, dessa evolução tecnológica e do fenómeno da digitalização.
Daí resulta a necessidade objectiva de adequar a legislação vigente ao momento político, socio-económico e cultural.
* Consultor
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O presidente angolano é uma das figuras políticas mais relevantes do continente berço e do mundo, daí não participar em qualquer fórum internacional e conceder entrevista a qualquer órgão de comunicação social, a Sociedade Independente de Comunicação (SIC) só conseguiu tal proeza (numa altura em que JES se encontrava há mais de dez anos sem falar demoradamente para nenhuma Tv, rádio, jornal imprenso ou digital a nível planetário), dado a sua importância internacional.

Por meio da SIC, Eduardo dos Santos foi ouvido falar sobre o que pensa do país, do mundo e as suas perspectivas para o futuro.

Eis em anexo, o vídeo da suculenta entrevista que o ainda comandante-em-chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA) concedera ao referido órgão de capital português.
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A ZAP - um serviço comercial que disponibiliza televisão por satélite, principalmente para os países de língua Portuguesa, na África subsariana, detida maioritariamente por Isabel dos Santos, a primogénita da prole do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, suspendeu, sem motivação aparente, a transmissão da televisão portuguesa SIC, em Angola e Moçambique.
Ora, até ao momento, não se consegue encontrar objectivamente, as razões que levaram a ZAP, a tomar tamanha e descomunal decisão em Estados democráticos (pois Angola é um, assim determina a Constituição da República). Porém, tal seria objectivamente justificável se, como mandam as regras de administração e finanças, a SIC pesasse mais para o passivo no Balanço Final da ZAP. Não foi o caso.
Pois, face ao seu prestígio, que lhe valera diversos prémios internacionais, não é necessário muitos exercícios mentais para se perceber que a SIC rende economicamente, daí não ser acoplada no pacote-mini da ZAP. Pela ZAP, só assiste aos programas da SIC, quem pode!

A TV privada mais importante de Portugal

A SIC - Sociedade Independente de Comunicação é uma estação de televisão portuguesa, criada na primavera de 1992, nasceu pouco antes das 16h30 do dia 6 de Outubro desse ano, pondo fim a um serviço exclusivo de 35 anos de televisão estatal, sendo a primeira estação televisiva independente e comercial de Portugal.
O capital da SIC é detido, na sua totalidade, pela empresa SGPS, SA - o maior grupo privado de média em Portugal liderado por Francisco Pinto Balsemão, através da própria empresa-mãe e da subsidiária empresa Serviços II.
Os sócios fundadores da SIC foram: a Jornalgeste, dona do Jornal de Notícias, O Jogo e da Rádio Press; o grupo Lusomundo; a Soimcom, com 25 % do capital social da SIC, uma associação de empresas compostas por: grupo Adriano Lucas (Diário de Coimbra, Diário de Aveiro e Diário de Leiria); grupo Projornal (O Jornal, Se7e, Jornal de Letras, TSF e NRJ - Rádio Energia); grupo Impresa de Francisco Pinto Balsemão (Expresso, A Capital, Exame); grupo Impala (Maria, Mulher Moderna, Nova Gente, TV 7 Dias); centro comercial Auchan; radiodifusão Rádio Comercial; produtora de vídeo Costa do Castelo; empresa cinematográfica Castello Lopes; editoras Porto Editora e Publicações Europa-América; a TV Globo, com 15 % do capital; a Interpress; as sociedades financeiras Grupo Mello, SPR (capital de risco), Promoindústria (capital de risco) e Império Seguradora; a Olinveste, empresa do Grupo Riopele.
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Paulo Catarro, ex-jornalista português a serviço da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) em Angola, ameaçou, de forma tácita, o jornalista do semanário Sábado (também órgão português) que o cilindrava com questões relacionadas com a sua nova ocupação laboral.

Porém, a conversa de ambos, via telemóvel, começou amena, até que o jornalista do Sábado decidiu pôr o dedo à ferida de Paulo Catarro, ao questioná-lo se por acaso fazia ideia de quantas queixas contra ele (Catarro) eram enviadas ao Provedor da RTP? A isso, portanto, o agora assessor de comunicação da petrolífera angolana, respondeu questionando ao escriba, se uma queixa significa o quê? Que o acusado cometeu um crime?

Não se coibindo, o profissional do Sábado acrescentou: “se o Paulo Catarro ainda fosse jornalista não achava pertinente que eu lhe fizesse agora a pergunta do que é que está a fazer na Sonangol?” “Não”! Respondeu Catarro, adicionando, retorquiu, “já lhe disse que não. O que eu faço, não é um problema que diga respeito a ninguém. Diz respeito às pessoas que me contrataram”. Entre muitas e outras, o ex-profissional da RTP argumentou contundente: “Sabe, eu tenho 30 anos de jornalismo. Não me assusta este tipo de conversa e de interrogatórios. Eu já fiz muitas entrevistas e muitas conversas deste género. Por isso, pode dizer o que quiser sobre isso. Também há alguns limites, como sabe, ou deveria saber … É assim, aquilo que eu faço na minha vida, felizmente até hoje, sou eu que decido …… Não é nenhum jornalista, não é ninguém que seja o que seja. Publique o que quiser publicar. Se falar que eu estou a fazer alguma coisa de ilegal, assumirá depois as consequências disso”, avisou.
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Fonte: Lusa
O tribunal de Luanda condenou hoje a dez anos e seis meses de prisão o réu Celestino Leonardo, considerado o líder dos 37 antigos militares, acusados de atentado contra o Presidente angolano e absolveu 28 arguidos.
De acordo com sentença lida hoje pelo juiz João António Eduardo, o réu Celestino Leonardo foi condenado em cúmulo jurídico pelos crimes de associação de malfeitores, posse ilegal de armas e coação contra o Presidente da República.
 A 14.ª secção dos crimes comuns do Tribunal Provincial de Luanda condenou igualmente em cúmulo jurídico os réus Mário Pinto, à pena única de oito anos e seis meses de prisão, Raimundo Chiquete, David Rufino, Paulo André e Domingos Fernandes a oito anos e três meses de prisão cada um e Francisco Feka a quatro anos e dois meses de prisão.
Associação de malfeitores, posse ilegal de armas, atentado contra o Presidente da República, e coação contra o Presidente da República são os crimes que lhes foram imputados durante a resposta aos quesitos apresentada antes da leitura da sentença.
Além das penas de prisão, os réus foram ainda condenados ao pagamento de uma taxa de justiça no valor de 100 mil kwanzas (563 euros) e 10 mil kwanzas (56 euros) de multa cada.
A decisão do juiz mereceu logo a seguir a reação do Ministério Público, que interpôs "recurso com subida imediata nos próprios autos", por considerar "má aplicação dos cúmulos jurídicos" aos réus condenados, recurso prontamente aceite pelo magistrado.
O tribunal absolveu igualmente um total de 27 arguidos, 25 por expirar o prazo de prisão preventiva (um ano depois da detenção), dois réus, prófugos, "por não terem reunido provas suficientes para a sua condenação", enquanto o réu Adolfo Jaime, foi condenado a um ano e seis meses de pena suspensa e pagamento de caução.
"A pena de prisão aplicada aos referidos réus considera-se expirada a julgar pelo tempo de prisão preventiva cumpridos pelos réus, assim mantenham-se em liberdade os réus absolvidos, mandados de soltura aos réus com penas expiradas e mandados de condução à cadeia aos réus condenados", disse o juiz João António Eduardo.
Os réus absolvidos deverão ainda pagar uma taxa de justiça no valor de 100 mil kwanzas e 10 mil kwanzas de multa.
Em reação à sentença, a defesa manifestou "inconformismo", porque, segundo o advogado, Salvador Freire, os réus ora condenados "não cometeram crimes de associação de malfeitores", garantindo recorrer ao Tribunal Supremo dentro dos próximos cinco dias.
"Nós estamos parcialmente satisfeitos com a decisão saída deste tribunal, mas de qualquer das formas vamos recorrer, porque há algumas questões que nós consideramos que carecem de recurso, porque foi tido como associação de malfeitores e nós não concordarmos com a associação de malfeitores, porque não houve tal associação", fundamentou a defesa.
O julgamento teve início a 02 de dezembro, com a acusação promovida pelo Ministério Público a sustentar que o grupo de acusados "era bastante organizado militarmente e que recrutavam os ex-militares" da UNITA (maior partido da oposição angolana) "com o objetivo de atentarem contra o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e tomarem o poder pela força, com recurso a armas de fogo, catanas e ainda de métodos feiticistas".
O MP angolano pediu em fevereiro condenação de 30 dos réus, com penas de seis a oito anos e meio de prisão efetiva e absolvição de quatro réus por insuficiência de provas.
São na sua maioria militares desmobilizados das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), braço militar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), durante a guerra civil, que terminou em 2002, acusados de pretenderem realizar a ação na madrugada de 31 de janeiro de 2016.
As acusações são refutadas pela defesa, que refere que a única mobilização que os acusados fizeram foi para uma manifestação pacífica para reclamar a não-inserção na Caixa Social das FAA, "e não atentar contra o Presidente da República".

O julgamento prolongou-se por três meses.
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Fonte: DN
Operação Marquês entra esta semana na fase final até à acusação. Hoje, Sócrates e o procurador Rosário Teixeira têm o último "frente a frente"

O antigo primeiro-ministro jura que os milhões eram unicamente e só do seu amigo Carlos Santos Silva. A investigação, por sua vez, garante que, pela forma como o ia gastando, o dinheiro era de José Sócrates e o seu amigo apenas um mealheiro que foi alimentado pelo Grupo Lena, Vale do Lobo e Grupo Espírito Santo. O caso esta semana na fase final do inquérito, culminando com a acusação do antigo primeiro-ministro , que hoje tem um último "frente a frente" com o procurador Rosário Teixeira.

O DN faz uma pequena radiografia aos arguidos e às suspeitas:

José Sócrates

O desmesurado acesso do antigo primeiro-ministro ao dinheiro formalmente em nome de Carlos Santos Silva é a principal prova do Ministério Público, que vai acusar José Sócrates pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. A investigação sustenta que o pecúlio acumulado em contas de Santos Silva foi produto de decisões políticas que beneficiaram o Grupo Lena, o empreendimento de Vale do Lobo, no Algarve, e dois negócios da antiga Portugal Telecom no Brasil. Estes últimos terão beneficiado o Grupo Espírito Santo que, através de Hélder Bataglia, terá encaminhado a comissão de José Sócrates, que no processo é suspeito de fraude fiscal, corrupção passiva e branqueamento de capitais.

Carlos Santos Silva

Engenheiro de profissão e com uma atividade empresarial rentável, tudo começou a correr mal a Carlos santos Silva quando decidiu trazer para Portugal, ao abrigo de um Regime Excecional de Regularização Tributária, os mais de 20 milhões de euros que tinha em contas na Suíça. A partir de 2011, com Sócrates já fora do governo, o dinheiro foi utilizado para a compra de um apartamento em Paris, para empréstimos em numerário a José Sócrates, para um contrato de trabalho com Sofia Fava, ex-mulher de Sócrates, e outros gastos pessoais do antigo primeiro-ministro. Santos Silva é suspeito de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Ricardo Salgado

Foi das últimas pessoas a ser constituído arguido na Operação Marquês, mas a sua entrada no processo não foi uma surpresa. Há muito que a investigação vinha sustentando que a origem de parte do dinheiro que chegou a Sócrates esteve na ES Enterprises, o chamado "saco azul" do Grupo Espírito Santo, controlado pelo antigo patrão do do GES. Está indiciado pelos crimes de corrupção ativa, fraude fiscal, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. No fundo, a investigação considera que Ricardo Salgado foi um dos corruptores ativos de José Sócrates na venda da Vivo à Telefónica e na entrada no capital da Oi, no Brasil, mas também aquando da rejeição da OPA da Sonae à empresa de telecomunicações. O antigo presidente do Banco Espírito Santo está ainda a ser investigado em processos relacionados com a gestão do banco e as causas que levaram ao colapso do grupo.

Hélder Bataglia

Pelas contas bancárias de algumas sociedades offshore por si controladas passaram, pelo menos 12 milhões de euros, com destino a contas de Carlos Santos Silva. Ao Ministério Público, Bataglia contou que parte do dinheiro foi um pedido de Ricardo Salgado e a outra teve a ver com um negócio de compra e venda de um terreno em Angola. Por sua vez, o MP alega que Bataglia funcionou apenas e só como um intermediário da corrupção.

Zeinal Bava

O antigo melhor gestor (CEO) da Europa, enquanto liderou a Portugal Telecom, foi constituído arguido por suspeitas de corrupção passiva. Tal como Sócrates, o MP considera que Zeinal Bava recebeu dinheiro do Grupo Espírito Santo para avançar com dois negócios no Brasil, os quais renderam dividendos ao grupo liderado por Ricardo Salgado, como maior acionista da PT

Henrique Granadeiro

Antigo presidente não executivo da PT, a Henrique Granadeiro também são imputadas suspeitas de corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais, uma vez mais relacionados com os negócios da PT no Brasil e com a OPA falhada da SONAE à empresa de telecomunicações. Granadeiro terá recebido mais de 20 milhões de euros, os quais terão sido canalizados para contas na Suíça. No processo, Ricardo Salgado afirmou tratar-se de pagamentos relacionados com negócios entre o GES e o próprio Granadeiro.

Armando Vara

Já condenado em primeira instância no processo da Face Oculta, o antigo administrador da CGD é suspeito neste processo dos crimes de corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Os investigadores consideram que Vara, enquanto administrador da Caixa, recebeu dinheiro para atender aos interesses do resort de Vale do Lobo, sobretudo ligados aos pedidos de crédito que os promotores do projeto tinham junto do banco público. A investigação suspeita que Vara terá favorecido o grupo de Vale do Lobo, concedendo um generoso crédito bancário.

Joaquim Paulo Conceição

Depois de ter já sido ouvido como testemunha e de ter pedido ao Ministério Público para não o constituir como arguido, nas últimas semanas o administrador executivo do Grupo Lena foi formalmente constituído arguido, na sequência de suspeitas à volta de contratos de aluguer de viaturas de uma empresa controlada pelo grupo empresarial de Leiria com várias pessoas próximas de José Sócrates, entre as quais o seu falecido irmão, António Pinto de Sousa. A investigação apurou que dos "elementos recolhidos" os contratos de aluguer das viaturas "tiveram um tratamento especial", "apontando-se que as mesmas tinham, ao contrário da norma, orientações superiores, nomeadamente de membros da administração do Grupo". Entre estes elementos, apurou o DN, estarão e-mails de Joaquim Paulo Conceição, dando indicações sobre os contratos das viaturas.

Joaquim Barroca

O administrador e um dos donos do Grupo Lena é suspeito de corrupção ativa, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Pelas contas bancárias de Joaquim Barroca, segundo dados apurados pelos investigadores, passaram milhões de euros com destino formal a Carlos Santos Silva, mas que, posteriormente, parte foi utilizada por José Sócrates. O Ministério Público tem afirmado que o grupo Lena foi favorecido durante os governos de José Sócrates e que esses pagamento foram a contrapartida do antigo primeiro-ministro.

Lalanda de Castro

O antigo diretor da Octopharma em Portugal contratou José Sócrates em 2012. Se tudo fosse apenas assim, tudo bem, mas Lalanda de Castro fez dois contratos com o antigo primeiro-ministro, ambos de 12500 euros. O primeiro foi com a Octopharma, o segundo foi celebrado com uma empresa de Lalanda de Castro num offshore, empresa essa que, ao mesmo tempo, fez um negócio com uma sociedade de Carlos Santos Silva no valor de 150 mil euros/ano, ou seja era esta sociedade quem pagava o segundo ordenado do antigo primeiro-ministro. Sociedade essa que era financiada pelo milhões que Carlos Santos Silva tinha transferido da Suíça para Portugal. Paulo Lalanda de Castro está a ser julgado por tráfico de influências no processo dos "vistos gold" e é suspeito de corrupção ativa na "Operação O negativo", relacionada com a compra de plasma para o Serviço Nacional de Saúde.

João Abrantes Serra

O advogado João Abrantes Serra prestou apoio jurídico à PT aquando da sua saída da Vivo e entrada para a Oi. Abrantes Serra é suspeito de fraude fiscal e de tráfico de influências. Serra era amigo de José Dirceu, o antigo braço direito do presidente brasileiro Lula da Silva. O papel de Dirceu nos negócios da PT também está a ser investigado, mas o político brasileiro não deverá ser acusado.

Sofia Fava

A ex-mulher de José Sócrates é uma das suspeitas de ter beneficiado dos milhões de euros em nome de Santos Silva. Sofia Fava chegou a ter viagens e estadas pagas em Paris através de contas ligadas a Carlos Santos Silva. As contas do inspetor tributário Paulo Silva apontam para uma despesa de 43 mil euros. No leque de suspeitas encontra-se ainda a compra de um monte alentejano: o Monte das Margaridas. Para o negócio, Sofia Fava terá recorrido a um crédito bancário, cujas prestações terão sido pagas por José Sócrates e através de um contrato celebrado entre a agora arguida e uma empresa de Carlos Santos Silva. Segundo as contas da investigação, o valor mensal auferido equivalia à prestação do monte no Alentejo.

Gonçalo Ferreira

Como advogado de Carlos Santos Silva, Gonçalo Trindade Ferreira participou em diversas operações de movimentação de dinheiro do empresário para José Sócrates. Aliás, terá ido mesmo a Paris entregar um envelope a Sócrates, durante a estadia académica do antigo primeiro-ministro. Gonçalo Trindade Ferreira foi um dos primeiro detidos do processo, em novembro de 2014, sendo suspeito de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Rui Mão de Ferro

Sócio de Carlos Santos Silva, este gestor é suspeito de ter ajudado na circulação de dinheiro em favor dos interesses de José Sócrates. Foi com uma empresa sua que o blogger António Peixoto ("Miguel Abrantes") celebrou um contrato de 3500 euros/mês para alimentar o blogue de defesa do antigo primeiro-ministro "Câmara Corporativa". Os investigadores suspeitam também que Rui Mão de Ferro terá sido parte ativa na destruição de provas dos vários crimes em investigação

Inês do Rosário

A mulher do empresário Carlos Santos Silva foi constituída arguida por branqueamento de capitais. A investigação considerou que Inês do Rosário foi cúmplice na circulação do dinheiro das contas do seu marido até José Sócrates.

Bárbara Vara

Filha de Armando Vara, a empresária foi constituída arguida, porque o seu nome consta como beneficiária última de uma sociedade offshore, suspeita de ter feito circular dinheiro para o seu pai. Bárbara Vara já explicou aos investigadores que não controlava os movimentos dessa conta.

Diogo Gaspar Ferreira

O administrador executivo do grupo Vale do Lobo é suspeito de ter feito chegar dois milhões de euros, divididos por José Sócrates e Armando Vara. O dinheiro terá sido exigido por Diogo Gaspar Ferreira a um cidadão holandês que pretendia construir uma moradia no empreendimento de Vale do Lobo. Também por indicação de Gaspar Ferreira, o cidadão fez uma transferência para uma conta de Joaquim Barroca, que depois encaminhou metade do valor para Armando Vara e outra metade para Santos Silva.

João Perna

O antigo motorista de José Sócrates chegou a estar em prisão preventiva por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Tudo porque João Perna, segundo a investigação terá funcionado durante algum tempo como uma espécie de "pombo correio" entre Santos Silva e José Sócrates, levando dinheiro do primeiro para o segundo, assim como a sua conta bancária também terá servido para pagar despesas do antigo primeiro ministro. O seu advogado, Ricardo Candeias, já declarou publicamente que João Perna é "vítima das circunstâncias". O antigo motorista terá relatado ao Ministério Público que apenas cumpria ordens de José Sócrates, desconhecendo, por exemplo, o que estava dentro dos envelopes que lhe entregava.

Rui Horta e Costa

Antigo administrador do empreendimento de Vale do Lobo, Rui Horta e Costa é suspeito de corrupção ativa, fraude fiscal, branqueamento e abuso de confiança. Rui Horta e Costa é suspeito de, a par de Diogo Gaspar Ferreira, ter promovido o pagamento ilícito de dois milhões de euros a Armando Vara e Carlos Santos Silva (amigo de José Sócrates), na sequência do negócio de Vale do Lobo. Era uma parcela de dinheiro não declarada no negócio de venda de um lote de terreno em Vale do Lobo ao holandês Sander van Gelder.

Oceano Clube

É a empresa proprietária do empreendimento de Vale do Lobo, tendo obtido um financiamento de quase 200 milhões de euros junto da Caixa Geral de Depósitos. A empresa está indiciada pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

XMI

A empresa de Carlos Santos Silva terá sido utilizada pelo empresário para fazer circular dinheiro com José Sócrates - por exemplo, através de um contrato de fornecimento de serviços com uma sociedade de Paulo Lalanda de Castro - e com pessoas próximas do ex-primeiro ministro, como a sua ex-mulher, que tinha um contrato de trabalho com a empresa de Santos Silva, em que auferia o valor exato da prestação bancária para um monte no Alentejo. Também a mulher do eurodeputado Pedro Silva Pereira chegou a ter um contrato com a XMI.

Empresas do grupo Lena

Ao todo, são quatro as sociedades ligadas ao Grupo Lena que estão constituídas arguidas no processo: a Lena Engenharia, a Lena Engenharia SGPS, a Lena SGPS e a Rentlei. Segundo a investigação, as sociedades foram utilizadas para fazer chegar benefícios económicos a José Sócrates ou favorecidas por decisões políticas do antigo primeiro-ministro. Recorde-se que as primeiras suspeitas referiam que o grupo empresarial de Leiria ganhou, durante os governos de Sócrates, mais de 200 milhões de euros em concursos públicos.
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Ilidio Manuel
Por Ilidio Manuel

É dado adquirido que Fernando Heitor (FH) já não faz parte dos quadros da UNITA, após 40 anos de militância no partido do «Galo Negro».
Embora tenha publicamente manifestado a sua vontade de se tornar «apartidário», o ainda deputado da UNITA tem dado, porém, sinais de que poderá ingressar na «Grande Família», uma rampa de lançamento de acesso ao Executivo do MPLA, caso este partido vença as eleições gerais de Agosto.
A saída de FH poderá representar a maior «aquisição» do «ÊME» no «mercado das transferências políticas» deste ano; um mercado que, curiosamente, só funciona de 4 em 4 anos…
Ninguém em sã consciência pode minimizar a saída de FH, tendo em conta a sua longa militância partidária na UNITA, o seu percurso académico (economista de formação) e o facto de ter sido um dos poucos elementos de equilíbrio no mosaico étnico linguístico da UNITA, onde o número de ambundu na sua direcção é bastante reduzido.
Consta que o abandono ter-se-á ficado a dever mais a questões pessoais e de incompatibilidade de caracteres do que divergências ideológicas, visto que ele nunca aceitara subordinar-se a Raul Danda, vice-presidente da UNITA.
Os destaques que os órgãos de comunicação social estatais, alguns privados, em particular a ZIMBO têm concedido a FH colocam-nos novamente diante do critério de «um peso e duas medidas», já que estes mesmos MDM´s ignoraram, de forma confrangedora, as dissidências no seio do MPLA de figuras como o embaixador Ambrósio Lukuki (AL) e do general «Miau». Excepção à LAC, que conferiu alguns espaços a AL.
Tenho estado a acompanhar alguns comentários feitos a propósito e noto, com algum desagrado, como alguns dos nossos conhecidos comentaristas, analistas, fazedores e sociólogos têm analisado o assunto... Não deixa de ser confrangedora a postura dos mesmos, visto que em situações idênticas, em nenhum momento, questionaram ou tecerem comentários à volta das rupturas de Lukuki ou de Miau, se as mesmas teriam reflexões negativas para o MPLA no que diz respeito a uma suposta distribuição do «voto étnico» …
Diante de mais este abandono de um militante de «peso», gostaria de saber por que razões as dissidências no seio dos partidos da oposição só ocorrem em vésperas das eleições? Foi assim com Dinho Chingunji, Jorge Valentim e Fátima Roque, dentre outros… Por que razão os milhares ou «Milhões» de militantes da UNITA/CASA/PRS só mudam de camisolas nos períodos que antecedem as eleições? Haverá por aí um plano secreto para desestabilizar os adversários políticos? Ou as contradições no seio da Oposição só emergem nestas fases? Estranho, nê?
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