Eugénio Alexandre - Director Nacional do SIC

Os operacionais dos Serviços de Investigação de Criminal (SIC), destacados na 1ª Esquadra da Polícia Nacional, sita na Ilha de Luanda, obrigaram o jurista Alfredo Pitra, a devolver mais de Kz1.000.000 aos cidadãos que terão sido burlados por um amigo e ex-colega deste.

Fonte: F8

Ora, de acordo as informações em nossa posse, Alfredo Pitra, sobrinho do ministro de Administração Pública Emprego e Segurança Social, Pitra Neto, foi enganado por Alfredo Estevão, seu ex-colega de sala no Complexo Escolar Dom Bosco – estabelecimento de ensino pertença dos Salesianos da Igreja Católica, de que era funcionário sénior do Departamento de Recursos Humanos do escritório da petrolífera brasileira Petrobras, sita na zona do Maculusso, em Luanda, e que, por via disso, dispunha de influência para enquadrar quem quer que seja.

Segundo alguns cidadãos que já foram alvos de suas mentiras e burla, Alfredo Estevão circula diariamente em diversos pontos da cidade de Luanda, no interior de sua viatura de marca i10, de cor preta, dispondo-se a dar boleia àquelas pessoas bem apresentadas que, a partida, percebe-se que estejam a caminho do local de trabalho ou da universidade.

No decurso da viagem, com um discurso alegadamente bem estruturado, Alfredo Estevão inicia a conversa falando sobre a actual conjectura económica do país, bem como o seu impacto na vida das famílias e, rapidamente passa a falar sobre ele mesmo – do seu alegado sucesso socioeconómico, atraindo suas vítimas com a conversa de que ele é quadro sénior do Departamento de Recursos Humanos da Petrobras, podendo empregar quem ele quiser, em troca de 150 a 100 mil Kz.
Ministro Pitra Neto - tio paterno da vítima

João de Carvalho, licenciado em Direito pela Universidade Gregório Semedo, diz ter-se encontrado pela primeira e última vez com Alfredo Estevão, numa manhã de terça-feira na via expresso, quando se dirigia ao município de Cacucaco, percurso que faz quase todos os dias.

“Ora, o táxi estava difícil, lá vi um i10 que buzinou para mim, o condutor baixou o vidro e acenou a mão em jeito de convite, rapidamente entrei ao carro e fomos. Ao longo do caminho, ele disse que se chamava Alfredo Estevão e de seguida perguntou-me sobre o que eu achava da actual situação económica e financeira do país e onde é que eu trabalhava, respondi-o que eu era jurista e que estava à procura do primeiro emprego. Foi aí que ele se ofereceu em me arranjar um emprego na Petrobras, tendo condicionado a oferta pela entrega de Kz200.000,00 que seriam pagos em duas prestações”, contou o jovem jurista, acrescentando, que, “tão logo regressei a casa, expliquei o sucedido ao meu irmão mais velho, mostrei-lhe inclusive o contacto telefónico dele (Estevão), foi aí que o meu kota avisou-me de que ele era bandido, pois já havia burlado o amigo do meu irmão que, caricatamente, foi colega de escola do próprio Alfredo Estevão, durante dois anos no Complexo Escolar Dom Bosco”, disse.

A maior vítima   

Entretanto, face as horripilantes informações prestadas por João de Carvalho sobre como Alfredo Estevão escolhe e rasteia suas vítimas, F8 envidou esforços para contactar diferentes vítimas do referido vilão, eis que encontramos Alfredo Pitra, sobrinho do ex-vice-presidente do MPLA e actual ministro da Administração Emprego e Segurança Social, Pitra Neto.

Segundo consta, o filho do ministro (pois na tradição africana sobrinho é filho) foi amigo e colega de sala de Alfredo Estevão no Complexo Escolar Dom Bosco, durante dois anos (2005/2006).

Após terem terminado o ensino de base, cada um tomou seu próprio rumo, Alfredo Pitra passou a viver e a estudar na Vila Alice. Já Alfredo Estevão, que vivia no distrito urbano do Sambizanga, viu sua residência ser demolida no âmbito do Programa de Requalificação de Luanda e transferido para a zona do Zango.
“Desde 2006 só voltei a vê-lo em Abril deste ano, no Bela Shoping. Fiquei muito feliz ao vê-lo, apresentei-o à minha noiva que estava comigo e pensei que era um encontro ocasional, mas hoje percebo que não! Acredito que ele me havia rasteado”, presumiu, adicionando, “naquele dia conversamos sobre quase tudo. Ele disse-me que trabalhava na Petrobras e que se eu conhecesse mais gente que gostassem de lá trabalhar, era só avisa-lo”, recordou.

Entretanto, alguns dias após o encontro, o jovem Pitra informou o sucedido a alguns vizinhos desempregados que, rapidamente persuadiram seus pais a abrirem os cordões. O próprio Alfredo Pitra, que pretendia empregar a noiva e mais duas cunhadas, depositou 400 mil Kz na conta bancária do ex-colega Alfredo Serafim Estevão.

O azar de Pitra começou quando os seus vizinhos fizeram os seus respectivos depósitos na conta do jovem vilão, perfazendo um total de kz1.200.000,00 (UM MILHÃO E DUZENTOS MIL KZ). Após ter essa “avultada” soma em dinheiro em sua conta bancária sem o mínimo de esfoço, Alfredo Estevão passou a ignorar os SMS e as chamadas telefónicas do ex-colega e dos vizinhos destes, até ao momento.

Pitra foi “injustamente” obrigado a pagar dinheiro de vizinhos para evitar prisão

Ora, depois de várias tentativas para contactar o “burlão” Alfredo Estevão, Alfredo Pitra e os vizinhos se deslocaram ao escritório da Petrobras, onde foram informados de não haver nenhum trabalhador com aquela identificação.

Posto desta forma, os amigos e vizinhos de Pitra perceberam terem sido enganados, decidiram registar a ocorrência na 1ª Esquadra da Polícia Nacional, sita na Ilha de Luanda, onde, pelo simples facto de apresentar o ex-colega aos vizinhos, o sobrinho de Pitra Neto foi obrigado a pagar o dinheiro que os amigos depositaram na conta bancária de Alfredo Estevão, caso quisesse evitar a prisão.


“Não tive participação alguma nesta burla. Já expliquei ao investigador que apenas apresentei o Estevão a eles (vizinhos), não toquei no dinheiro de ninguém, eles tinham o terminal telefónico dele e foi por telefone que o Alfredo que por coincidência temos o mesmo nome, forneceu o número da conta bancária dele a eles. Inclusive, eu também depositei-o 400 mil Kz que serviriam para ele arranjar um emprego para minha noiva e minhas cunhadas”, desabafou agastado.
Esforços em contactar Alfredo Estevão redundaram em fracasso.


Voltaremos.    
Presidente da República José Eduardo dos Santos

Por Redacção


Entrevista com o presidente da República José Eduardo dos Santos. Há muito que o Comandante-em-chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA), não concede entrevista a um órgão de comunicação social nacional.

Pois desta vez, este blog de notícias políticas congratula-se por ver respondidas as suas questões pelo Chefe de Estado. Siga a baixo a suculenta entrevista. *
DP: Sr. Presidente, como caracteriza o país hoje?
JES: Começo por afirmar que tanto o clima de paz como o normal funcionamento das instituições são já uma realidade e que passos importantes continuam a ser dados para se garantir o pleno desenvolvimento económico e social do nosso país.
Um balanço sumário sobre a actividade nacional põe em relevo as grandes mudanças que ocorrem no país, bem como os sinais positivos e algumas falhas que surgem em vários domínios da economia e da sociedade. Tudo isto nos permite perspectivar as medidas necessárias para se construir um futuro melhor.
DP: Mas a crise económica e financeira é uma realidade?
JES: Angola sofre as consequências da crise económica e financeira internacional desde 2008. Mesmo assim, cumpriu mais de metade das metas estabelecidas pelas Nações Unidas nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015, no que diz respeito a sectores como o emprego formal, o abastecimento de energia e água potável, a saúde e o saneamento do meio, a educação e a formação profissional, entre outros.
Todas as conquistas se devem em primeiro lugar ao clima de paz que se instalou de forma definitiva no nosso país desde 2002 e que é obra de todos os angolanos. Foi a paz que devolveu ao nosso povo a esperança num futuro melhor, num quadro de liberdade, justiça e inclusão social.
DP: Sr. Presidente, pese embora estejamos em paz desde 2002 como acabou de fazer referência, é bem verdade que o país ainda regista tensões geradas pela intolerância política …
JES: Conscientes disso, temos de continuar a esforçar-nos para que a paz se venha a tornar na principal força identitária entre os angolanos de todas as origens, convicções políticas ou crenças religiosas e para que se mantenha entre nós o espírito de união, de tolerância e de respeito pela diferença e pelos valores em que assenta a democracia.
DP: Voltemos ao sector económico. A sensação generalizada de que a situação económica e financeira do Estado bem como a das famílias poderá se agravar, corresponde com a realidade? 
JES: Apesar do agravamento da situação económica do país, provocado pela queda do preço do petróleo, Angola está a lidar com a crise melhor do que outros países. Exemplos disso são a baixa progressiva dos preços dos bens essenciais, da inflação e da taxa de juros; a recuperação da actividade das empresas e dos níveis de emprego.
São também exemplo disso a retomada dos ganhos da paz, que começavam a ser afectados, no domínio da educação, da saúde, da assistência social, da desminagem, etc. A economia não estagnou, apenas perdeu a pujança com que se vinha desenvolvendo por causa da crise actual.
Um dos caminhos escolhidos para sairmos dessa crise é a diversificação da economia, que por sinal não é uma ideia nova. Muitos questionam por que razão não começámos este processo muito antes, mas na verdade ele começou há muito tempo, só que não havia condições objectivas no nosso país para avançarmos mais depressa.
DP: Que razões objectivas se refere?
JES: Quando terminou a guerra em 2002, Angola e o Cambodja eram os países do mundo que tinham mais minas anti-pessoais e anti-tanque. Falou-se na altura em cerca de dois milhões de minas implantadas. Estavam minados os acessos aos campos agrícolas, as três principais linhas de caminho-de-ferro e respectivas pontes, as zonas adjacentes às torres de transporte de energia eléctrica e às centrais e condutas de água.
Mesmo em Luanda foi necessário construir-se uma protecção ao longo de toda a conduta de água potável, patrulhada dia e noite. Foi também erguida uma vedação no traçado da actual Via Expresso, que ainda não existia, para proteger a cidade de operações de minagem e ataques bombistas. Não era assim surpresa que Luanda continuasse iluminada, apesar das centenas de postes derrubados, pois tinha sido possível implantar grupos geradores em todos os municípios.
Quando começou a reconstrução, tivemos que desminar em todo o território nacional para podermos avançar. Não podíamos construir sem desminar primeiro. Nos primeiros anos tivemos que fazer em todo o país o levantamento e a sinalização das zonas minadas, para se evitarem acidentes. Como é que nestas condições podíamos acelerar o desenvolvimento da agricultura familiar ou da agricultura comercial?
Quem andasse pelo país encontrava em grandes quantidades tractores e máquinas pesadas de construção civil, abandonadas ou destruídas! Foi necessário fazer quase tudo de novo. Desminar, reconstruir, reequipar e reorganizar.
DP: Há países que também registaram longos períodos de guerra, mas se reergueram rapidamente, não acha?
JES: Não podemos falar do nosso país como se estivéssemos a falar de Portugal, de Cabo Verde ou do Senegal. A nossa história não é igual nem parecida com a dos outros. O nosso povo está consciente desse facto e sabe o que quer e como construir o seu futuro. Por essa razão escolheu o caminho da diversificação da economia e está, com realismo, a dar passos seguros para conseguir este objectivo.
DP: O que o Sr. Presidente se oferece a dizer em relação a luz eléctrica, dado o facto de aquando de seu discurso sobre o estado da Nação, o país ter registado um corte geral de energia?
JES: A implementação dos Projectos Estruturantes de Investimento Público aprovados durante o mandato está em curso e a bom ritmo, como comprovam a conclusão da segunda fase da Barragem de Cambambe, cujo alteamento vai garantir uma potência adicional de 780 ‘megawatts’ aos actuais 180; a construção da nova Barragem de Laúca, a terminar no  próximo ano, com uma potência de 2 mil e 67 ‘megawatts’; bem como a construção da Central do Ciclo Combinado do Soyo, utilizando gás natural para gerar uma potência de 750 ‘megawatts’, também a partir do próximo ano.
Este impressionante aumento da potência eléctrica é associado ao esforço gigantesco que está a ser feito para aumentar a produção de água potável e do sistema de Telecomunicações e dos Transportes, para apoiar o desenvolvimento da produção e melhorar o acesso das famílias a esses bens, garantindo a transformação da estrutura económica nacional.
DP: Não é desconfortante para o seu Executivo o facto de a República de Angola não pertencer até aqui, ao Grupo dos Países de Desenvolvimento Humano?
JES: Angola registou também um crescimento apreciável do Índice de Desenvolvimento Humano do seu povo, graças em grande parte às melhorias verificadas nos domínios sanitário e educacional. O IDH do povo angolano está, por exemplo, acima da média dos países da África Subsariana.
O objectivo a que o país aspira é o de pertencer até 2025 ao Grupo dos Países de Desenvolvimento Humano Elevado. Por essa razão o Combate à Pobreza é, de facto, uma prioridade do Governo, e tem sido positivo o ritmo da sua redução. Mas é importante que haja um reforço e alargamento das medidas que, directa ou indirectamente, podem contribuir ainda para a sua maior redução.
DP: Que estratégias poderão adoptar para o país escalar àquele Grupo, num prazo não superior a 2025?
JES: O Governo adoptou um Programa de Formação e Redistribuição do Rendimento, a fim de criar condições que possibilitem uma maior inclusão social. Pensa assim utilizar de forma articulada e convergente os principais instrumentos de política de redistribuição do rendimento, tais como a Política Tributária e a Despesa Pública, em sectores sociais e segurança social, visando uma repartição mais justa da riqueza e do rendimento e um nível de bem-estar mais elevado.
Uma área decisiva para o bem-estar das populações é o da habitação. Para o efeito o Executivo elaborou o Programa Nacional de Urbanismo e Habitação. Ao longo do período compreendido entre 2013 e 2015, beneficiando de uma conjuntura orçamental mais favorável, o Executivo priorizou, dados os graves problemas habitacionais, o investimento em novas centralidades.
DP: Mas há muitas obras paralisadas, pois não?
JES: A presente redução de recursos orçamentais tem naturalmente um forte impacto no programa habitacional, estando-se por isso a adoptar medidas activas de política para concluir os projectos em curso em várias províncias, que salvaguardem a continuação dos subprogramas da auto-construção dirigida.
Quebra de quase seis mil milhões de dólares na receita fiscal.
DP: As pessoas desejam saber de viva voz do Sr. Presidente, qual é o real estado da economia do país.
JES: A economia angolana cresceu a uma taxa média anual considerável até 2014. Em 2015, essa evolução foi fortemente limitada pela queda brusca do preço do petróleo no mercado internacional, que em 2016 se situou abaixo dos 30 dólares por barril e provocou uma significativa redução das receitas fiscais do Estado.
Foi esta evolução do preço do petróleo que nos levou a rever o OGE 2016, que assumiu, para o corrente ano, um preço médio de 40 dólares por barril. Por sua vez, a queda das receitas fiscais provocou, em 2015, a contracção da procura agregada da economia e, por via sistémica, a consequente queda dos níveis de actividade da economia não petrolífera.
O crescimento do sector não petrolífero da economia passou, assim, de 8,2 % em 2014, para 1,3 % em 2015 e a previsão é de 1,2 % para o corrente ano. Os sectores que mais se ressentiram, embora com taxas de crescimento positivas, foram os da agricultura, pescas, construção e serviços mercantis. Por seu lado, o sector da indústria transformadora foi o mais atingido e registou uma variação negativa de 4%.
DP: Então está a dizer que o contexto petrolífero internacional desestruturou grandemente os cofres do Estado angolano?
JES: O choque sistémico da queda do preço foi muito forte nas receitas públicas. Sublinhe-se que, só em 2015, a redução do preço do petróleo terá provocado uma quebra de quase 6 mil milhões de dólares na receita fiscal. Presentemente, a continuidade do esforço de investimento público só é possível com recurso ao endividamento, interno e externo. Essa é uma solução que tem os seus limites e obriga a diferentes soluções de financiamento interno e externo.
Esta evolução teve inevitáveis impactos ao nível monetário. Nesse contexto, o Executivo, para garantir os pressupostos básicos necessários ao desenvolvimento, teve de adoptar uma Política de Estabilidade e Regulação Macroeconómica que lhe permitiu aprimorar a condução coordenada da Política Fiscal, Monetária, Cambial e de rendimento e preços, acentuando o papel da Programação Financeira.
A quebra brusca do preço do petróleo a partir do segundo semestre de 2014 gerou um clima de instabilidade e de incerteza nos mercados. A taxa de inflação acumulada anual, que se situava num só dígito, voltou a fixar-se em dois dígitos em 2015. Houve também que se proceder a um ajuste cambial. No mês de Janeiro de 2016, a taxa de câmbio desvalorizou em torno de 15 porcento face ao dólar norte-americano, após um breve curso de estabilidade observado na fase final de 2015.
DP: Assiste-se também a uma depreciação da nossa moeda como nunca vista…
JES: Desde o início da crise, que têm sido registadas depreciações sucessivas nos mercados primário, secundário e informal do Kwanza. Em consequência das medidas de regulação macroeconómica que se tem adoptado, verifica-se nas últimas semanas uma regressão no mercado informal dos valores especulativos do dólar e do euro, graças à melhor coordenação da política fiscal, monetária, cambial e de rendimento e preços.
Esta aplicação coordenada dos instrumentos de política económica permitiu garantir uma oferta de divisas no mercado cambial primário que sustentou a execução do Orçamento Geral do Estado e, por outro lado, o atendimento à procura da moeda estrangeira em articulação com uma adequada oferta de meios de pagamento em moeda nacional e com a satisfação das necessidades de bens e serviços.
Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, a taxa de inflação mensal que, em Julho, estava em cerca de 4%, baixou em Agosto para cerca de 3% e em Setembro para 2,14 %, verificando-se assim a baixa dos preços de bens de consumo no mercado e um apreciável aumento do poder de compra dos salários. A nossa meta é conseguir uma taxa de inflação mensal de 1% ou menos.
DP: Em face a realidade não só vista pelos cidadãos comuns, mas agora assumida pelo mais Alto Magistrado do Estado, já não é hora de se olhar para outras fontes de riqueza ao invés do petróleo?
JES: Perante a ruptura brusca do preço do petróleo, o Executivo definiu em 2015 uma Estratégia para a Saída da Crise. Esta estratégia está alicerçada na substituição do petróleo como fonte principal de receita; na promoção de exportações a curto prazo; na programação do pagamento da dívida pública e no novo ciclo económico de estabilidade não dependente do petróleo.
A substituição do petróleo como fonte principal de receita baseia-se na expansão controlada do défice e do endividamento para o relançamento da economia e numa maior transparência da gestão da coisa pública, na maior eficiência e eficácia dos investimentos e na procura ou promoção do investimento privado.
Estamos habituados a lutar contra as adversidades e a ultrapassar obstáculos. Temos de continuar a confiar nas nossas forças e a trabalhar juntos para vencer a crise económica e financeira, no curto prazo. Medidas concretas para o efeito estarão contidas no Orçamento Geral do Estado para o ano de 2017, já em preparação.
País registou o aumento da criminalidade

DP: Sr. Presidente, falemos um pouco da ordem e tranquilidade interna. Hoje, o país está mergulhado por uma onda de criminalidade aterradora, migração ilegal e o fluxo de cidadãos de países marcados pelo terrorismo. O que se oferece a dizer sobre isso?

JES: Ao nível interno enfrentamos … o aumento da criminalidade violenta, a imigração ilegal e os crimes de natureza económica, em relação aos quais têm estado a ser tomadas medidas concretas de combate.
Vamos dar passos mais efectivos no sentido de aprofundar e consolidar o desempenho da Unidade de Informação Financeira, concedendo-lhe maior autonomia com vista à efectiva implementação das medidas de natureza preventiva e repressiva de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo.
No plano externo há a considerar as ameaças latentes constituídas pelas crises e conflitos da África Central e da Região dos Grandes Lagos e pela pirataria marítima no Golfo da Guiné, para além dos novos paradigmas de crime organizado que se manifestam através da expansão do fundamentalismo religioso, do terrorismo transnacional, do tráfico de armas, drogas e seres humanos e dos crimes cibernéticos.
DP: O nosso Sistema de Segurança está preparado para lidar com estes fenómenos externos?
JES: Apesar de alguns condicionalismos de ordem conjuntural e estrutural, o Sistema de Segurança Nacional (Inteligência, Defesa e Interior) tem dado resposta capaz a todas essas situações de risco, internas e externas, e permitido assim a prossecução normal dos grandes objectivos nacionais.
A defesa do território nacional, a garantia da paz e estabilidade e a preservação das nossas fronteiras, exigem que tenhamos Forças Armadas e de Segurança Nacional capazes, bem equipadas e bem treinadas. Exigem também que elas sejam objecto da nossa atenção permanente, cuidando devidamente dos seus orçamentos.
O Ocidente não se cansa em desestabiliza o continente
DP: Também é apologista de que são os países ocidentais responsáveis pelos contínuos conflitos africanos?
JES: Temos que estudar com maior atenção e profundidade os fenómenos que acontecem no plano internacional para compreender melhor o mundo em que estamos e saber proteger os nossos interesses. Com o fim da Guerra Fria surgiu um mundo unipolar, com os Estados Unidos da América na liderança. Entretanto, com o despontar de várias potências com peso no plano internacional, em especial a Rússia e a China, o mundo tende a tornar-se multipolar.
Utilizando a força, os EUA levaram a cabo intervenções em várias partes do mundo para impor os seus próprios valores políticos, com resultados adversos. Acabaram, assim, por gerar mais instabilidade no Médio Oriente, na Ásia e em África, onde não conseguiram nem impor a paz nem desencorajar os movimentos terroristas. Essas políticas foram conduzidas na era do presidente George W. Bush e do presidente Obama, cada um com as suas especificidades e com o beneplácito dos seus aliados.
As eleições devem ser realizadas com lisura e transparência

DP: Que esperar das Eleições Gerais angolanas, aprazadas para Agosto de 2017?

JES: Que se pautem pela lisura e transparência, para que essas eleições, a realizar em 2017, expressem e correspondam, de facto, à real vontade dos eleitores do país. Que cada um com o seu voto faça livremente a escolha dos dirigentes que entendem que devem governar o país.
Que não só o Estado, mas também os Partidos Políticos, a Sociedade Civil, as Igrejas e todos os cidadãos assumam com responsabilidade o seu papel, para que o processo seja realmente democrático e livre e decorra com normalidade e de modo exemplar.
Com a realização de novas eleições, novas propostas de candidatos aos mais altos cargos do país vão surgir. Vamos consolidar o nosso processo democrático, que é irreversível, para que nele surjam e se afirmem aqueles que estejam em melhores condições de conduzir os destinos do país. Que eles possam corresponder às expectativas do Povo angolano no sentido de continuar a ter uma vida cada vez melhor.

*Resposta retirada do recente discurso sobre o estado da Nação.
jornalfalante@hotmail.com 

A Rádio Comercial Despertar suspendeu cinco dos seus mais destacados jornalistas, “somente” por reivindicarem os seus salários que estão atrasados há mais de dois meses.

 

Arrogante e intolerante como se têm revelado boa parte das entidades patronais angolanas, a direcção da emissora ligada ao maior partido na oposição, a UNITA, decidiu suspender os coitados empregados e os proibiu de acederem as suas instalações por alegadamente tentarem organizar uma greve geral que visava reivindicar os referidos salários em atraso.


Os jornalistas suspensos falam de "violação de um direito fundamental” e  o sindicato dos jornalistas apela ao bom senso entre as partes.

Entre os jornalistas suspensos pela emissora que pertence a um grupo empresarial com ligações ao maior partido na oposição em Angola, a UNITA, está o editor Pedro Mota, que, segundo disse, a ordem lhes foi transmitida pelos seguranças da rádio que impediram os funcionários em causa de acederem às instalações.

"Isso acontece na sequência de uma greve decretada anteontem, exigíamos condições de trabalho e exigíamos também os nossos ordenados que andam atrasados há dois meses e que não houve negociação possível para suspensão como continuidade da greve", disse Pedro Mota, um dos suspensos.

Em actualização.

O Chefe de Governo de Cabo-verde excluiu quaisquer possibilidades de a sua administração vier a conceder isenção de taxa à TAAG, no aeroporto da Praia.
Ulisses Correia e Silva deixou claro em declarações à rádio Voice of America (VOA) de que o país não tem poderio financeiro para tanto e que de problemas já bastem a TACV – companha aérea cabo-verdiana.

Ora, para além de sugerir a isenção de taxa no aeroporto supra, o PCA da TAAG, Peter Hill, terá apresentado como solução para os gastos onerosos da TAAG na sequência dos voos que realiza entre Luanda e Praia, a subvenção dos combustíveis, mas o Primeiro-ministro também descartou esta possibilidade.

Durante a breve conversa mantida com a VOA, o chefe do Executivo cabo-verdiano afirmou que o seu Governo não recebeu ainda qualquer informação oficial, mas admitiu haver accionado canais próprios para resolver a questão, sem explicar quais.
No entanto, tal como noticiamos há minutos, o PCA da TAAG, Peter Hill, apontou o caso de Cabo Verde como sendo uma das rotas menos rentáveis operadas pela TAAG.


"Há certas rotas que não têm sido rentáveis quanto gostaríamos que fossem. O voo para Cabo Verde, por exemplo, leva 5,5 horas no meio do oceano Atlântico. É uma rota muito cara, pois custa-nos 2,5 milhões de dólares por ano, para transportar apenas, em média, 20 pessoas por voo", aponta Hill. "O 737 faz ida-e-volta com a carga toda. Falando claramente, não podemos dar-nos a esse luxo. Então, Cabo Verde vai sair da programação", reforça Hill.
A TAAG - Companhia aérea angolana quer ficar isenta de taxas no aeroporto da Praia ou, em alternativa, que os governos de Angola e Cabo Verde subsidiem os combustíveis para continuar a fazer o voo entre Angola e Cabo Verde.
De acordo ao Peter Hill - o britânico que, ao serviço da Emirates, assumiu a gestão da companhia aérea angolana, o de Cabo Verde tem sido uma das rotas menos rentáveis operadas pela TAAG. "Há certas rotas que não têm sido rentáveis quanto gostaríamos que fossem. O voo para Cabo Verde, por exemplo, leva 5,5 horas no meio do oceano Atlântico. É uma rota muito cara, pois custa-nos 2,5 milhões de dólares por ano, para transportar apenas, em média, 20 pessoas por voo", aponta Hill na entrevista que concedeu ao jornal angolano. "O 737 faz ida-e-volta com a carga toda. Falando claramente, não podemos dar-nos a esse luxo. Então, Cabo Verde vai sair da programação", reforça Hill.
No entanto, a decisão pode não ser final. O gestor aponta que havendo subsídios ou uma manifestação de interesse por parte do governo angolano em manter a rota, a ligação entre Luanda e Praia pode manter-se. "Claro, que se o Governo nos disser: 'queremos que mantenha o voo e estamos preparados para subsidiá-lo', nós aceitaremos", explica.

Também Cabo Verde pode ter uma palavra a dizer para reverter esta decisão da TAAG. "Se o governo de Cabo Verde disser: “vamos dar-vos concessões, reduzir as taxas de aterragem, o custo do combustível, etc, etc, se chegarmos a algum tipo de assistência, vamos continuar a rota como um serviço público. Mas, até lá, as pessoas que me desculpem, a empresa tem de ganhar dinheiro", apontou Peter Hill.


De recordar que a TAAG é gerida pela Emirates desde a assinatura do acordo assinado no Dubai, em 2014, entre o governo angolano e a Emirates.

Francisco Louçã

Por Francisco Louçã*

A CGD tem de acabar com a mala pata. Não é coisa de somenos, é só o maior banco português e a âncora da confiança no sistema. Tornar-se um caso político e continuar nas bocas do mundo não é opção. É mesmo melhor que este assunto se cale.

Ainda por cima, poderia ter corrido bem. Apesar das pressões de Bruxelas, fechou-se a porta ao início da privatização. Apesar da velha ideia da direita de privatizar a Caixa, o seu carácter público tornou-se regra nacional (até ver).

Apesar dos constrangimentos, foi aprovada a recapitalização (em valores de taluda, mas isso é outra história). Apesar da tradição de comissários políticos (mas houve excepções), desta vez foi escolhida uma equipa profissional, o que foi elogiado por toda a gente. Foi aprovada uma auditoria, para verificar as responsabilidades passadas e limpar o presente (mas ficou para as calendas).
Resolvidos estes problemas, tudo devia ter sido simples. Mas não foi.

Já havia precedentes estranhos: um anterior presidente da CGD tinha optado por ter o salário pago pelos seus concorrentes, na função simultânea de presidente da Associação de Bancos. Mas não se podiam adivinhar os novos problemas criados por esta administração. A lista proposta incluía uma câmara corporativa de empresários, esquecendo-se de que a lei os podia bloquear e o BCE podia amesquinhar a ideia, o que aconteceu de seguida. 

Mas, no meio deste amadorismo, a nova administração não se esqueceu de pôr como condição que fosse garantida aos executivos uma lei especial para o seu próprio salário e para os dispensar de deveres de registo de património e interesses. E foi feito um decreto-lei à medida destas vontades pessoais.

Ora, se a condição do salário é mesquinha, a do registo de interesses é abusiva.
De facto, não noto que o nível do salário tenha vindo a garantir competência. Alguns banqueiros portugueses tiveram dos maiores salários da Europa e isso não os impediu de arruinarem os seus bancos, que os contribuintes têm vindo a pagar. 

Se António Domingues coloca como condição ganhar no seu mandato o equivalente a 240 anos do salário médio nacional, está a desvalorizar a sua função porque a reduz a uma estratégia pessoal. Se assim for, não percebeu a natureza do seu cargo e a responsabilidade que tem perante Portugal.

Mas entendamo-nos bem: ele tem esse salário garantido. O PS protege-o, o PSD e o CDS fingem que estão chocados e propõem que continue exactamente como está, blindando o dinheirinho com regras de excepções. Na senda dos Sérgios Monteiros deste país, este situacionismo entende que devemos complacência e dízima generosa aos banqueiros.

Onde o caso muda de figura é na declaração de interesses. Aí, Domingues pode perder se persistir em recusar a regra que todos os seus predecessores cumpriram. Legalmente, o assunto parece-me transparente: se está em vigor uma lei que determina que os gestores públicos são quem gere coisas públicas, qualquer excepção casuística ou é inconstitucional porque discrimina sem fundamento ou é ilegal porque recusa aplicar o princípio geral. 

Mas a substância é ainda mais comprometedora. É que a administração da CGD tem um dever especial para com os accionistas, que é assegurar-lhes que nenhum interesse particular se sobrepõe ao cumprimento do seu dever. Em Portugal, isso garante-se por via do escrutínio da declaração no Tribunal Constitucional, a que se obrigam todas as autoridades. Ao gerir o nosso banco, logo o nosso banco, o seu presidente tem um dever especial para connosco.


Assim, Domingues tem nas mãos a possibilidade de encerrar este dramalhão criado pela excepção que reclamou, prestando a garantia democrática da independência de qualquer interesse. Se o fizer por sua iniciativa, demonstrará desprendimento, reforçará a percepção de profissionalismo e começará o mandato com confiança. Se escolher não o fazer, é porque prefere uma crise na Caixa. Não vejo nenhuma razão para essa escolha e ainda penso que Domingues pode salvar o começo do seu mandato. Tudo depende do que ele fizer nestas próximas duas semanas e era melhor que fosse depressa.
*Público

Fonte: TSF                  
Ranking das empresas com mais emissões de gases com efeito de estufa mostra que o transporte rodoviário e a produção de electricidade representam quase metade das emissões com origem em Portugal.
EDP, Tejo Energia, Petrogal, Cimpor e TAP são por esta ordem, decrescente, as empresas portuguesas com mais emissões de gases com efeito de estufa.
As contas são da associação ambientalista ZERO que fez um ranking das empresas e sectores com mais emissões, baseando-se nos relatórios oficiais do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE).
Nas contas da ZERO, a EDP é claramente a empresa com mais emissões. Só a Central Termoeléctrica de Sines representou, em 2015, 13,5% do total das emissões portuguesas.
Ranking elaborado pela ZERO
1) EDP, Central Termoeléctrica de Sines: 13,5%; 2) Tejo Energia, que gere a Central Termoeléctrica do Pego: 5,6%; 3) Petrogal, Refinaria de Sines: 3,9%; 4) Cimpor, Centro de Produção de Alhandra: 2%; 5) TAP: 1,8%.
Segundo a ZERO, os números mostram "o enorme peso das duas centrais de produção de energia eléctrica a partir da queima de carvão", o que leva os ambientalistas a defenderem o fim destas centrais que deveriam ser substituídas por centrais de ciclo combinado a gás natural mais 'amigas do ambiente'.
O presidente da ZERO diz que as centrais de Sines e do Pego não são eficazes na eliminação das emissões de dióxido de carbono, pelo que têm emissões quase três vezes superiores a uma central que use gás natural. Francisco Ferreira critica as duas centrais, mas sobretudo a de Sines da EDP que é antiga e está, segundo afirma, ambientalmente ultrapassada.
No ranking dos sectores com mais emissões, a ZERO revela que o transporte rodoviário é o maior responsável pelos gases de efeito de estufa vindos de Portugal (23,5%), seguido de muito perto pela produção de electricidade (22,5%), ou seja, mais uma vez, devido às centrais termoeléctrico de Sines e Pego.

Números que segundo Francisco Ferreira revelam a enorme dependência que Portugal tem em relação ao transporte individual ou colectivo de passageiros, mas também de mercadorias, além de uma grande predominância dos combustíveis fósseis mais poluentes. Em conjunto, o transporte rodoviário e a produção de electricidade são responsáveis por 46% das emissões portuguesas de gases com efeito de estufa.
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