Presidente da República, José Eduardo dos Santos
Por Redacção


O presidente da República e comandante-em-chefe das Forças Armadas Angolas (FAA), José Eduardo dos Santos, foi um dos poucos chefes de Estado com mais de 30 anos de poder ininterrupto que resistiu às manifestações turbulentas, desencadeadas em 2011, à escala global.

Destas terríveis manifestações populares – que foram inicialmente pacíficas, denominadas “Primavera Árabe”, caíram temíveis presidentes como Mouammar Kadhafi, Mohammed Hosni Moubarak – ambos tidos como mais fortes, estrategas e astutos em relação ao chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos. Ledo engano.

Ora, as supracitadas manifestações de massas tiveram início na República da Tunísia, em simples gesto de solidariedade a um jovem licenciado que se ateara fogo, frente ao Comando de Polícia local, motivado pela falta de emprego, mas sobretudo, pelo facto dos operacionais da ordem e tranquilidade públicas, terem apreendido os produtos alimentares que o rapaz vendia, tendo inclusive, condicionado a devolução da mercadoria em troca da “famosa gasosa”.

O mero acto de solidariedade se transformou numa manifestação em grande escala contra o poder absoluto e ininterrupto do presidente Abidine Ben Ali. Obviamente mais veloz do que quaisquer vírus mortíferos, o resultado (positivo) do protesto tunisino estimulou cidadãos de outras paragens – também governados por um mesmo indivíduo há mais de 20 anos, a atitudes similares aos registados na Tunísia.

Primavera foi contraproducente para outros Estados

Porém, se é verdade que as manifestações na República da Tunísia fizeram poucas mortes e proporcionaram o nascimento de um país mais dialogante e parcialmente mais democrático, já não o é nos países que seguiram o mesmo caminho a posterior.

Hoje, boa parte dos sírios, líbios e alguns poucos egípcios arrependem-se da ousadia. Claro que as mortes registadas nas referidas circunscrições, deveram-se ao apego egoísta e cego ao poder por partes dos líderes – Moubarak (Egipto), Kadhafi (Líbia) e Assad (Síria), este último, ainda disfruta o sabor da vida no comando de seu país, graças ao apoio directamente assistido pela Federação Russa, pelo contrário, o Ocidente o derrubaria apenas com um sopro.

Tal como Assad, os presidentes das Repúblicas da Líbia e do Egipto, cujos juramentos similares, aquando das tomadas de posse como chefes de Estado, incidiram na promessa de cumprir e fazer cumprir as Constituições dos seus países, revelaram-se nuns autênticos desastres, no campo da protecção da vida humana.

Aos actos de repúdio e decidida vontade popular de os ver saltar do poder, ambos chefes de Estado, responderam de forma letal, causando a morte de milhares de cidadãos. Uma postura que contrasta às políticas económicas e sociais levadas a cabo por ambos, em seus países.

Com discernimento: Dos Santos resistiu ao fenómeno   

Pese embora as manifestações tenham início na zona norte de África, a verdade é que tal contagiou outras paragens do continente e não só.

Na República de Angola, por exemplo, o estadista José Eduardo dos Santos, só se mantém ao poder desde 1979 até aqui, por ter sabido lidar com o fenómeno de manifestações vindo do norte africano.

Como ficou cediço, as potências mundiais, ajuntadas na NATO, passaram a fornecer apoio material ou a intervir militarmente nos países onde as forças de defesa e segurança, sob ordens dos governantes, disparavam letalmente contra os seus próprios cidadãos, pelo simples facto destes manifestarem descontentamento pelos largos anos de governação de uma só pessoa.  

Obviamente estando na mesma condição de Kadhafi e Moubarak, quanto ao exercício de poder, José Eduardo dos Santos, presidente angolano, não escapou ao fenómeno que fez cair regimes fortemente armados. Mas, diferente destes, Dos Santos não autorizou ao linchamento dos protestantes, mas também não os poupou.

Para desencorajar manifestações populares, as autoridades angolanas alegadamente contrataram um bando de caenches que se consideravam defensores da “pátria”, cujo objectivo era o de espancar todo e qualquer cidadão que ousasse protestar pela falta de água, luz eléctrica, bem como os longos anos de exercício de poder de José Eduardo dos Santos, etc.

Na verdade, ninguém morreu em consequência das constantes surras, mas o país ganhou mais gentes ferida, deficientes físicos e nalguns casos, mental. Foi uma estratégia agressiva, mas não letal.

Para o bem ou para o mal, Dos Santos se mantém no poder. O país continua aparentemente estável e há indicadores claros de que deixará o cadeirão máximo da República, de forma serena, antes das eleições de 2022.    

Gualter Franklim

Por Gualter Franklim


Etimologicamente a Republica Democrática do Congo situa-se a norte com a República Centro-Africana e com o Sudão do Sul, a leste com Uganda, Ruanda, Burundi e a Tanzânia, a leste e a sul com a Zâmbia, a sul com Angola e a oeste com o Oceano Atlântico.

A República Democrática do Congo (RDC) é um dos países africanos que sofreu com as práticas do imperialismo e, depois de independente, passou por conturbados processos de consolidação da ordem política. Depois de anos de ditadura pós independência, o país sofreu um golpe de Estado, ora e os processos para o seu desenvolvimento passou a ser um sacrifício, desde então os blocos ascenderam e expandiu-se as bolsas de resistências e fratricidas redes de milícias, muitas delas vindas de países vizinhos como o Ruanda o Burundi, a Republica Centro Africana, o Uganda e o Sudão.

Porém, a RDC tem esta adversidade de Regiões dentro do seu Estado que formam em grandes milícias, muitas das vezes juntando-se ou a formarem Partidos Políticos para manter alguma autonomia local, mas criando desde já os seus bastiões de guerrilha. É um processo longo e de natureza Regional, porque já não fica apenas com os Congoleses, porque com os passos anteriores não tiveram sucessos.

Estas bolsas de resistência que desestabilizam o País, normalmente são sim do conhecimento das entidades oficiais, visto que nos anos passados o governo do Ruanda reagiu à presença de tropas angolanas no Congo, fazendo que dois regimentos seus atravessassem a fronteira para apoiar os rebeldes baniamulenges.

Os governos de Uganda e Burundi também comprometem seu apoio aos rebeldes. Já o governo da Zâmbia, por sua vez, decidiu apoiar Kabila. Daí teve o início do que ficou conhecido como a Grande Guerra da África, que se estende até hoje e já matou quase 6 milhões de pessoas.

Preocupado com a internacionalização do conflito na altura, o presidente Mandela, da África do Sul, iniciara um processo de negociações que levou à convocação de uma conferência entre todas as partes. Reunidos em Victoria Falls, Zimbábue, representantes dos seis países envolvidos (Congo, Angola, Zâmbia, Uganda, Ruanda e Burundi) apenas conseguiram, em setembro de 1998, um acordo de cessar-fogo em que cada parte mantivesse suas posições.

Mas, logo em seguida, o líder dos baniamulenges, Bizima Karaha, declarou que suas tropas continuariam combatendo. Foi assim que Laurent Kabila voltou ao Congo advertindo à população a uma guerra longa e com os seus vizinhos que atropelam o País. Ora, foi apenas um passo deste processo que continua incógnito, porque além das alegadas pragas Regionais eis desde já um novo rumo tomou conta da conturbada vida política local com a atual crise política fruto da teimosia do ainda chefe de Estado, Joseph Kabila, que ao terminar o seu 3º mandato, ainda sonha em ficar à frente dos destinos do País.

Poderá haver golpe de Estado

Nesta nova onda de instabilidade na RDC pode ser apenas o início da fragmentação do país e de mais violências. A insatisfação das Populações perante os indícios do Presidente Kabila em arrastar mais um mandato, demonstra que é crescente e há risco de haver um golpe militar e o renascer das pilhagens dos grupos étnicos que desenvolve-se progressivamente com o objetivo de tomar o Poder.
CIRGL

Nestas sondas de crise, nunca trouxe uma estabilidade coesa que permitisse ao ainda Presidente Kabila governar com solidez e eficácia, de modo que desenvolvesse os sectores chaves, como Economia, Defesa, Saúde, Educação e o vasto quadro de deslocados.

No âmbito regional, desenvolve-se uma vasta operação de cooperação para que as partes em conflito neste caso o governo e a oposição, encontrem um mecanismo comum para o entendimento e o predomínio de uma lógica necessária.

Contudo, decorrem conversações de mediações o que levou ao Presidente Kabila enviar para Angola o seu ministro de Negócios Estrangeiros, o Sr. Jean-Claude Gakosso, ele que afirmara que a situação no seu país é urgente e instável. Sendo Angola e o Congo Brazzaville, países vizinhos e com grande influência nos seus actores políticos, neste caso, o presidente Sassou Nguesso mostrou-se empenhado e desenvolveu um diálogo com a oposição para posterior estabelecer uma estrutura de conversações ainda no âmbito regional.

Já a diplomacia angolana, sob a égide do Presidente Eduardo dos Santos, desenvolve com as estruturas do governo de Joseph Kabila, uma solução sólida para saída da crise política. Por outro lado é preciso que os mediadores sejam paradeiro de todas as partes desavindas. Outra grande preocupação é o distanciamento dos principais rostos da oposição, Etienne Tshissekedi de 83 anos de idade, Moise Katumbi de 51 anos.

Agora resta saber se os dois principais candidatos irão aceitar, qualquer que seja o resultado destas conversações ou provocar um outro conceito de diálogo com algumas exigências. Todavia, Joseph Kabila não terá a vida facilitada, porque a oposição mesmo dividida, continua a beneficiar da insatisfação popular que marcou o mandato presidencial que chega ao fim.

A referida oposição insiste que a Comissão Eleitoral Independente é dirigida por um amigo próximo ao Presidente Joseph Kabila, por isso mesmo, desconfia da sua transparência. Oficialmente, o mandato do Presidente Joseph Kabila termina a 20 de dezembro.

Nos termos da Constituição, Kabila não pode ser eleito novamente. O calendário eleitoral inicial previa a eleição de um novo chefe de Estado a 27 de novembro. Mas a data não pode ser cumprida, segundo a Comissão Eleitoral, porque só a agora começou a rever o registro dos eleitores. São necessários por ai 18 à 20 meses para completar o processo.

O Tribunal Constitucional já confirmou que Kabila pode permanecer no poder até à realização de eleições, algo que a oposição não concorda.

Normalmente as acções de manutenção de paz quer da União Africana quer da SADC e da Região dos grandes lagos, tem tido grandes retrocessos, na falta da implementação rigorosa dos Países vizinhos que instigam de certa forma os grupos rebeldes, dando origem as correntes linhas de instabilidades.

Estes grupos, como o Movimento 23 de Março ( M23), May may, o Exército da Resistência do Senhor (LRA), entre outros, continuam vivos e totalmente implantados no território Concolês. De recordar que as Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR remanescentes das milícias hutus Ruandesas), cuja atuação é facilitada pela permeabilidade das fronteiras Congolesas.

As Republicas do Uganda e Ruanda são acusadas de ingerência externa. Ambas beneficiariam da exploração ilícita dos recursos naturais do leste do Congo e manteriam influência política sobre o país vizinho, fornecendo armamentos e mesmo apoio militar directo a grupos rebeldes nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

Tal é a fragilidade dos condores Regionais e das instituições na RDC. Contudo, uma década de guerras teve profundas consequências para o país. Kinshasa, a capital do Poder político e econômico, continua sem ter controlo total sobre certas regiões do território nacional, especialmente nas províncias do leste, distantes da capital.

Em decorrência, a atuação de grupos armados continua a ser um fator desestabilizador, relacionado à disputas étnicas por terra e recursos naturais. Estupros em massa, pilhagens e recrutamento de crianças soldado escapam do controle do Governo, sendo em alguns casos cometidos pelas próprias forças armada locais.


Rui Tavares

Por Rui Tavares
Fonte: Público

A campanha de Trump ainda tentou conter os danos declarando que aquele diálogo não passava de “fanfarronice de balneário”, algo que no fundo todos os homens fazem. Não melhorou a situação.

Nova Iorque, EUA. — Há duas semanas os apoiantes de Hillary Clinton estavam, como relatei aqui, numa situação de pré-pânico. Neste momento, e escrevo a poucas horas do segundo debate presidencial norte-americano, estão em pré-euforia. A principal preocupação dos clintonistas já é mesmo que o candidato republicano, Donald Trump, não desista.

O que mudou foi, como toda a gente já sabe, a revelação de um vídeo de 2005 em que Donald Trump descreve a sua abordagem perante as mulheres que o atraem fisicamente: beijá-las sem autorização e agarrá-las pelas partes íntimas. Não no sentido metafórico de que se pode dizer de um homem que está “agarrado pelos tomates”, mas no sentido real de quem se gaba de o poder fazer porque é, como ele próprio se define, “uma estrela”.

Nas primeiras horas após rebentar a bomba, a campanha de Trump ainda tentou conter os danos declarando que aquele diálogo não passava de “fanfarronice de balneário”, algo que no fundo todos os homens fazem. Não melhorou a situação. Essa naturalização é precisamente o que é intolerável para todas as mulheres (e, já agora, insultuoso para os homens que não se comportam como Trump).

Um bom barómetro da gravidade do caso foi então a reação das televisões. Passado um par de horas todas falavam do caso e repetiam o vídeo. Todas? Não. A FoxNews, de direita ultra-conservadora e aliada de Trump, dava todo o tempo de antena a um furacão, que acompanhou em exclusivo até bem depois de ser desprovido a mera tempestade tropical. Nos outros canais, os raios e trovões ficaram para Trump. Quem falava dele, atacava-o. Quem o queria defender, primava pela falta de comparência. Quem não o queria defender, renegava-o em público. As deserções entre republicanos começaram na sexta, avolumaram-se no sábado e ainda não pararam até domingo, — agora com os apelos a que ele desista e deixe o Partido Republicano sobreviver.

Relembremos que estas eleições nos EUA são decisivas para bem mais do que um mandato presidencial de quatro anos. Está em jogo o poder de nomear o juiz decisivo no Supremo Tribunal e, com essa nomeação, decidir o rumo conservador ou progressista da jurisprudência constitucional por uma geração. Está em jogo o Senado e talvez até a Câmara dos Representantes. Está talvez em jogo o sistema internacional.

E é isso que torna tão hipócrita a debandada dos republicanos que criaram o solo fértil de reacionarismo no qual Trump pegou de estaca. Ouviram Trump dizer que os mexicanos eram violadores, que os negros americanos viviam pior do que no tempo da escravatura, que a Arábia Saudita deveria ter armas nucleares, que deveria haver “uma forma de castigo” para as mulheres que fizessem abortos. E aplaudiram ou ficaram calados, enquanto esperavam que Trump os levasse a uma maioria no Congresso e a dominar o Supremo Tribunal por mais trinta anos. Só quando ele deixou de ser uma boia e passou a ser um peso é que deram umas braçadas para não se afundarem com ele.


E foi assim que, nas primeiras 36 horas após a revelação do vídeo, Donald Trump só teve um político a defendê-lo: Nigel Farage, esse mesmo. O cavaleiro do Brexit confirmou a uma televisão que “Trump não está a concorrer para papa” e que também ele e os seus companheiros do UKIP se gabam entre si do mesmo tipo de comportamentos. Percebe-se então porque há uns tempos se esforçaram tanto para alarmar a população contra os refugiados que alegadamente poderiam apalpar mulheres nas cidades ocidentais. Pelos vistos, não queriam imigrantes a fazer o trabalho que ainda consideram vergonhosamente deles.
Bento Kangamba
Fonte: JA

A UNITA tem dificuldade em admitir que apesar da conjuntura económica adversa o país regista progressos em vários domínios, disse no sábado, em Luanda, Bento Kangamba.

O dirigente do MPLA acusou o líder da UNITA de fazer “show-off” quando faz ataques ao Presidente da República sem argumentos sustentáveis. Em declarações à imprensa, à margem de um encontro com mais de oito mil membros de várias congregações religiosas e representantes de outros seguimentos a sociedade civil, que serviu para promover a campanha em torno do processo de actualização de dados dos cidadãos maiores para o registo eleitoral, Kangamba acusou a UNITA de “pregar a desconfiança” e procurar “criar dificuldades” numa altura em que “fazia falta que todos os actores políticos ajudassem a mobilizar os angolanos para o processo eleitoral”. 

O secretário itinerante do Comité de Luanda do MPLA considerou fundamental as igrejas e outros membros da sociedade civil estarem em sintonia com os partidos políticos responsáveis e o Governo, na busca de soluções para os problemas sociais das comunidades e vencer os desafios que o país tem pela frente.

Ao discursar para o público, Bento Kangamba reconheceu que a Igreja tem colaborado em várias tarefas e citou a educação e ensino como “um bom exemplo” dessa colaboração. Referiu-se aos muitos casos de escolas para o subsistema de ensino não universitário, em que o Estado assume a colocação e remuneração de professores e das direcções das mesmas, sob proposta da respectiva congregação religiosa.

O dirigente do MPLA falou   do sector da Saúde onde a Igreja tem feito sentir a sua presença ao acudir inúmeras pessoas desfavorecidas e vulneráveis com assistência médico-medicamentosa. Bento Kangamba falou do Presidente José Eduardo dos Santos como um exemplo de liderança “sábia e visionária”, que “além de ser um promotor da paz e da estabilidade, incentiva a governação participativa.
“Como em épocas anteriores, durante o IV ano legislativo da IIIª legislatura, o Parlamento angolano limitou-se a aprovar as propostas de Leis vindas do Titular do Poder Executivo”, lamentou ao Folha 8, Nelson Sahuma, coordenador do Centro Nacional de Aconselhamento (NCC) – plataforma de monitoria das actividades parlamentares.

Por Antunes Zongo
Fonte: F8

Nelson Sahuma, jovem angolano que teve a ousadia de criar uma plataforma de monitorização das actividades parlamentares, mostra-se escandalizado pelo facto de os deputados se revelarem “deveras” incapazes de imaginar e de ter criatividade para poderem lavrar projectos de leis – já que foi a eles (deputados) que o povo depositou tal responsabilidade.

“O Poder Legislativo é o que melhor conhece os problemas da população. No entanto, se os que melhor conhecem os dilemas do povo produzissem as leis, não teríamos tantas leis que contrastam com a realidade do povo angolano”, referiu a fonte.

Na sequência da breve conversa que manteve com o F8, o coordenador do NCC felicitou o presidente da República, José Eduardo dos Santos, pela proposta de Lei de Amnistia – que está a restituir diversos reclusos à liberdade, pese embora entenda que devia ser da iniciativa dos parlamentares.
Pois, para Sahuma, o princípio conformador da Amnistia é a extinção da responsabilidade criminal, prevista no n.º 3 do art.º 125.º do Código Penal, cujo alcance deve ser para indistintos destinatários, face à positividade do direito, que, segundo o mesmo, é geral e abstracto.

“Para nós NCC, a amnistia é uma questão de direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos (artigo 164.º, b) CRA). No entanto tendo em conta que o país encontra-se numa corrupção generalizada seria inoportuno amnistiar os desviadores do erário público”, disse, acrescentando, que, “para estes governantes, a justiça tinha que ser feita se o país pretende pôr fim a esta sangria que se tornou moeda corrente”, afiançou.

Ora, o NCC é uma organização da sociedade civil angolana de âmbito nacional, com sede na Província de Luanda. Por além de levar ao conhecimento do público as actividades dos parlamentares, o Centro que foi fundado por jovens universitários no ano de 2000, tem estendido o seu esforço nas áreas da educação cívica, ética-humana, jurídico-legal, desenvolvimento comunitário e direitos humanos.

Actualmente é membro Observador da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos da União Africana. O projecto de «Monitoria do Parlamento Angolano» levado a cabo pelo NCC, desde o mês de Junho de 2014, tem sido financiado pela Fundação Open Society – OSISA.
Donald Tramp
Jorge Almeida Fernandes

Por Jorge Almeida Fernandes 
 
Temos amanhã à noite o primeiro debate entre Hillary Clinton e Donald Trump. É o arranque do final da corrida até 8 de Novembro. É para ambos um confronto de alto risco. Todos esperam um debate fora dos modelos normais. A regra de ouro de um candidato é não cometer erros. Trump não funciona assim. Soma gaffes, provocações, indecências e não teme mentir para lá de todos os limites. O que noutro candidato seria defeito ou "suicídio eleitoral" nele parece virtude. Os seus adeptos podem reconhecer que é um demagogo ou um charlatão mas aplaudem essas tiradas — e tanto mais quanto sejam denunciadas pelos media ou adversários.

Estas eleições são diferentes. Resume The Economist: "Desta vez não é exagerado dizer que esta eleição não é apenas sobre quem deverá ser Presidente, mas sobre que espécie de país a América deveria ser."

O percurso de Trump, que desarticulou o Partido Republicano e agora desafia Hillary, foi uma surpresa e um facto extraordinário. Os fantasmas da América mais conservadora não explicam a dimensão e a persistência do fenómeno. Este faz certamente parte do vento populista que sopra no mundo, particularmente na Europa. Mas veste "roupas americanas". E tem uma ressonância particular porque está em jogo a sorte da maior potência do planeta.

Os temas e o estilo

A campanha de Trump tem duas vertentes que ele unifica numa mistura explosiva. Primeiro, exprime a ansiedade económica dos "perdedores da globalização", ferida agravada pela grande crise de 2008. Diz um seu adepto: "A candidatura de Trump é música celestial aos seus ouvidos. Critica as indústrias que exportam para o outro lado do mar os seus empregos. O tom apocalíptico adequa-se à sua experiência vivida no terreno. Ele adora irritar as elites, o que muitas pessoas desejariam fazer mas não conseguem por falta de instrumentos."

Os dados estatísticos não permitem olhar as classes médias brancas como um todo. Há ganhadores e perdedores, os que se adaptaram à globalização e os que ficaram de fora. É fundamentalmente esta segunda fracção que é a coluna vertebral do povo de Trump.

A segunda vertente é um estilo que baralha as regras. O Washington Post lamentou há dias a ineficácia dos "mainstream media" perante a campanha — de resto, apenas 14% dos americanos se informam através deles. Parte do eleitorado a quem Trump se dirige partilha das suas idiotices e provocações — contra imigrantes e refugiados, insinuações racistas, justificação da tortura, declarações de amor a Putin e outros ditadores, manifestando, enfim, a mais patente irresponsabilidade na política internacional, combinando o isolacionismo com brutais ameaças imperiais. Os outros absolvem-no: "As acusações [contra Trump] exprimem uma instituição ilegítima ou um sistema" que usa o seu poder para os frustrar. Eles desprezam a elite porque sentem que ela não os escuta e os despreza. Se as elites odeiam Trump é a prova de que ele está certo.

Transforma em revolta a frustração social e económica: "Nós contra eles". Dá uma demagógica expectativa de mudança. As elites têm aqui uma alta responsabilidade: quando ignoram a exasperação popular estão a preparar um imenso "motim". Escreve o Financial Times: "Nos Estados Unidos, a elite de direita semeou ventos e agora colhe tempestades. Mas tal pôde acontecer porque a elite de esquerda alienou a fidelidade de amplos estratos da classe média autóctone."

Um fascismo americano?

No fim de 2015 começaram a surgir na imprensa americana artigos que assimilam a campanha de Trump ao fascismo. Há uma interrogação recorrente sobre a repetição da História: "Poderia [o fascismo] acontecer aqui?"
Robert Paxton, historiador americano do fascismo, preveniu em Dezembro contra o abuso das analogias históricas. Prefere ver o fenómeno como um "nacionalismo populista". Mas não encerrou o debate. O historiador britânico Andrew Roberts apontou Mussolini como "a matriz secreta de Trump." O neoconservador Daniel Pipes fala em "neofascismo" e vê Trump como "um perigo interno inédito desde há 150 anos, uma ameaça que poderia minar a sociedade americana e pôr em causa a posição da América no mundo".

Por Redacção

Há muito que debates acesos e conversas amenas no seio familiar sobre à mesa de jantar e não só, relativamente ao abandono ao poder de José Eduardo dos Santos têm dominado o país inteiro, mas a questão ganhou ainda mais corpo desde que o próprio chefe de Estado anunciou a sua retirada da vida política activa para 2018, durante a reunião do Comité Central do partido governante – o MPLA, a 11 de Março de 2016. 

Para muitos, face ao arrastar dos anos de poder absoluto e ininterrupto, o estadista José Eduardo dos Santos, não devia mais esperar até ao ano de 2018, pelo contrário, devia largar o “trono” já! Ora, a maioria dos que advogam tal teoria, crêem que o país não precisa urgente de alguém que se mostre capaz de resolver no imediato, os problemas do povo, mas sim, doutrinar e familiarizar a população com a ideia de que o poder reside e pertence ao povo, e que, em face disso, pode e deve retirar os governantes sempre que estes não correspondam com as expectativas.

Os mesmos (defensores da tal teoria) acreditam também que o Presidente da República já não tem nada para oferecer ao país, e, por isso mesmo, deve ser forçado a abandonar o barco com urgência.

Melhor modelo é o apresentado por Chivukuvuku

Abel Chivukuvuku, Presidente da CASA
No entanto, é óbvio que nenhum ditador (como Dos Santos tem sido rotulado) ou tirano abandonou o poder sem o derramamento de sangue ou tendo como opção a substituição consanguínea. Mas se estivermos atentos, poderemos facilmente perceber que Dos Santos permanece naquela cadeira desde 1979, muito por consequência dos longos anos de guerra, também um pouco por já não saber como viver sem o poder político, económico e militar que a Presidência da República lhe proporcionou, pois lá está desde os seus 37 anos de idade, hoje, tem 74 anos. Contas feitas: o homem viveu 37 anos como cidadão comum e igual número de anos como Presidente da República, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA) e o verdadeiro de Chefe de Governo. Então, psicologicamente, não é fácil saltar daí!

Por outro lado, não é coerente trata-lo por Ditador ou Tirano, mas também não sensato apelidá-lo por democrata. Infelizmente, o Presidente não é uma coisa nem outra. Pese embora seja uma pessoa boa de se lidar, segundo diversos mais velhos que com ele conviveram, labutaram e partilharam inúmeros temas.

No entanto, para serenar os espíritos (pois Angola precisa) é curial que o estadista Dos Santos saia do poder de forma ordeira e pacífica como tem apregoado o Presidente da CASA, Abel Epalanga Chivukuvuku.

As vias mais apropriadas para o Presidente da República sair do poder são, primeiro: as Eleições, 2º caso não perca as Eleições - permitir que ele cumpra os dois mandatos de cinco anos previstos pela Constituição, ou por iniciativa própria, ele mesmo se retira da vida política activa, assim como anunciou que o fará em 2018. Ao optar pelo último cenário, Dos Santos deverá sentar-se à mesma mesa com as diferentes almas vivas do país (sejam do poder, oposição, sociedade civil e líderes religiosos com reconhecida idoneidade) para, em nome de todos, discutirem sobre um Pacto de Regime.

Voltaremos.
jornalfalante@hotmail.com 
Copyright © 2013 Disputas Políticas